Especializações em Gerontologia – como escolher?

Estamos em janeiro, época em que estão abertas diversas inscrições para processos seletivos de cursos de especialização (pós-graduação Lato Sensu) em Gerontologia e áreas afins. Por ser professora na área do envelhecimento, recebo e oriento muitas pessoas com a mesma dúvida: quais critérios devo levar em consideração na escolha de um curso de especialização em Gerontologia?

Diante de ofertas maciças de curos, saiba escolher aquele que se adequa melhor ao seu perfil profissional.

Sabemos que qualquer curso é um investimento que consome ou uma bela monta em dinheiro, ou uma enorme fatia do tempo livre das pessoas. A dúvida justamente vem a partir do momento em que a oferta de cursos aumenta. Em muitos casos, encontramos os mesmos professores em mais de um curso. Isso os torna então muito parecidos, certo? Nem sempre…

Costumo iniciar qualquer orientação vocacional nessa área guiando-me pelas seguintes perguntas disparadoras:

1. Você já atua exclusivamente em alguma modalidade de assistência à pessoa idosa ou atende estritamente esse público?

  • SIM – nesse caso, recomendo cursos que fundamentem cientificamente seus conhecimentos práticos, ou seja, cursos teóricos. A prática supervisionada em estágios, nesses casos, não é o ideal mas pode ser dispensada. Não se engane: se você só tem 2 pacientes domiciliares, não pode de cara prescindir de prática supervisionada acreditando ser experiente o suficiente na modalidade de assistência domiciliária ao idoso… No entanto, profissionais contratados em instituições de longa permanência (ILPI), homecare especializado em Geriatria ou quem já acumulou muitos anos de prática clínica com essa clientela, podem se dar ao luxo de dispensar estágios.
  • NÃO – se essa é sua resposta honesta, seja igualmente honesto com sua formação acadêmica: prefira cursos extensivos cuja carga horária vá além das 360h previstas pelo art. 5º da Resolução Nº 1 de 8 de junho de 2007. Isso porque se você é recém-formado ou sente que ainda precisa de uma orientação mais próxima por parte de um professor experiente na área, busque cursos com estágio. Dê preferência para aqueles com estágios em diversas modalidades de assistência. Deste modo, você se tornará um profissional com habilidades e competências diversificadas, podendo transitar livremente tanto na atenção primária (baixa complexidade) como em ambulatórios, centros de reabilitação (média complexidade) e hospitais, centros-dia ILPI (alta complexidade). Lembre-se: um especialista em Gerontologia deve desenvolver a capacidade de gerir programas de intervenção em equipe e monitorar longitudinalmente o cuidado global ao idoso, sua família e comunidade, não simplesmente fazer o que sempre fez (fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, etc.) só que dando ênfase ao público idoso.

2. Você pretende seguir carreira acadêmica?

  • SIM – nesse caso, prefira cursos ligados a Universidades que ofereçam a possibilidade de progressão na carreira por meio da pós-graduação Stricto Sensu (níveis: Mestrado e Doutorado). A vantagem de fazer o Lato Sensu onde se pretende cursar futuramente o Stricto Sensu é óbvia: você já tem a oportunidade de conhecer o corpo docente (talvez até mesmo seu próprio orientador), a infraestrutura local e ganha “pontos extras” no processo seletivo para o nível pretendido (M / D).
  • NÃO se você respondeu não, provavelmente pretende focar sua carreira na prática clínica. Ótimo! Nesse caso, prefira cursos cujos professores atuam em clínicas renomadas ou aqueles com uma imensa cartela de clientes. Quem sabe você não se tornará um futuro assistente de seu professor quando se formar?…

3. Para você a bolsa de estudos é condição necessária para conseguir cursar a especialização?

  • SIM – opte preferencialmente por cursos gratuitos ou aqueles que oferecem bolsas. No geral, para conseguir uma bolsa é necessária uma excelente colocação no ranking do processo seletivo. Portanto, prepare-se bem! Existe muita discussão em torno da cobrança de mensalidades por parte das Universidades públicas. Isso ocorre porque, diferentemente da graduação e do Stricto Sensu, os cursos de especialização, ou seja, Lato Sensu, não recebem verba pública própria. Os cursos, então, para existirem, precisam ser auto-sustentáveis, razão pela qual há cobrança de mensalidades. Contudo, as Universidades federais têm oferecido bolsas aos candidatos com as melhores colocações no processo seletivo aliadas às necessidades financeiras declaradas em formulários de requisição de bolsas. Esse, pelo menos, é o modus operandi da Unifesp.
  • NÃO – então você está no melhor dos mundos: não precisa usar o critério financeiro para escolher seu curso. Mesmo assim, não se atire no primeiro curso oferecido pelo hospital de grife renome antes de analisar bem todas as suas alternativas. Turmas enormes e nenhuma preocupação em entrevistar ou avaliar o curriculum vitae do candidato sugerem “formação em massa”, ou, como costumo apelidar carinhosamente, “curso caça-níquel”… Você não quer pagar duas vezes para ter a formação desejada, não é mesmo?…

Por fim, os cuidados básicos de sempre:

a) pesquise se a instituição que está oferecendo a especialização é credenciada pelo MEC para tal. Diferentemente de graduação, mestrado e doutorado, os cursos Lato Sensu não são credenciados e avaliados individual e periodicamente. A autorização de funcionamento é da instituição (clínica, hospital, faculdade, Centro Universitário, Universidade). Isso consta no art. 1º da resolução já citada acima.

b) para uma excelente formação em Gerontologia, quanto mais diversificado o público, melhor: você terá a chance de trabalhar em equipe, conhecer o raciocínio de outros profissionais e, assim, conseguirá gerir um serviço ou planejar uma ação coordenada em saúde de modo muito mais eficiente!

c) fuja do “ensino bancário” e queira desafiar-se: prefira cursos em que você é o ator principal. Queira elaborar seminários, visitar instituições, elaborar relatórios, participar de reuniões clínicas, ler e discutir artigos internacionais, realizar uma monografia séria com um orientador designado pelo curso. É ilusão achar que numa turma de 40 ou 60 alunos você receberá a assistência que merece.

d) nem sempre quem coordena o curso ministra aulas nele. Isso tem bases no funcionamento burocrático de diversas Universidades, em especial, das públicas. Não precisamos entrar em detalhes sobre isso, mas recomendo que não escolha o curso apenas considerando o nome de quem assina por ele. Ao contrário, analise o curriculum de todos os professores. Se você não tiver acesso ao nomes dos professores para poder avaliar o nível de conhecimento específico de cada um, desconfie.

Não vou aproveitar o espaço para divulgar cursos. As equipes de publicidade das universidades têm estratégias muito eficazes para captar sua atenção. Minha proposta é ajudá-lo a enxergar as oportunidades de formação de modo crítico e econômico, favorecendo uma escolha consciente que atenda às suas necessidades específicas de inserção no mercado de trabalho. Espero ter contribuído! Tenha uma excelente escolha profissional!

Se desejar obter informações sobre a abertura dos cursos de especialização relacionados à GERONTOLOGIA e REABILITAÇÃO GERONTOLÓGICA, preencha o formulário para compor nosso mailing clicando aqui.

Obs.: não enviamos spam, tampouco vendemos listas de email para terceiros, fique tranquilo.

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Licença Creative Commons
O trabalho Especializações em Gerontologia – como escolher? de Renata Cereda foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Brasil.
Com base no trabalho disponível em https://reabgeronto.wordpress.com/2011/01/15/especializacoes-em-gerontologia-como-escolher/.

3 Respostas para “Especializações em Gerontologia – como escolher?

  1. Olá Renata

    Gostei do post, estou procurando um curso, achei algumas opções acessíveis e depois das suas dicas vou ficar mais atenta.
    Não será oferecido este ano a especialização em geronto na unifesp que eu, com graduação em musicoterapia, possa participar?

    Abraço, Flávia

    • Flávia,

      como deve saber, na área do envelhecimento, com estágio supervisionado para prática clínica musicoterápica, somente o nosso – Reabilitação Gerontológica – oferecia vagas. Interrompemos estrategicamente o curso por 2 anos (2010 e 2011) e pretendemos reabri-lo em 2012. Para isso, precisarei reunir novamente o corpo docente, refazer o projeto pedagógico para melhorar ainda mais a formação. Já temos diferenciais conhecidos: apresentação de artigo científico no lugar da monografia tradicional e estágios supervisionados em diversas modalidades de assistência à saúde do idoso (centro de Reabilitação, ILPI, centro-dia, atenção primária).

      Posso aconselhá-la a aprimorar-se em 2011 em algum curso teórico que seja aberto a diversos profissionais de saúde. Veja o curso Gerontologia Clínica e Social da Unifesp, com inscrições abertas (http://goo.gl/6IgXw). Depois desse curso, cujo envolvimento do aluno não é tão extenso (aulas somente às sextas-feiras), recomendaria sinceramente um curso com estágio supervisionado para refinar suas habilidades como Mt e profissional de saúde integrado em equipe interprofissional.

      Abraços

  2. Pingback: Tweets that mention Especializações em Gerontologia – como escolher? | Reabilitando a pessoa idosa -- Topsy.com

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