Saúde da próstata: vamos tocar no assunto?

Fonte: Cabeça de homem (Cândido Portinari)

Fonte: Cabeça de homem (Cândido Portinari)

Os homens tem o péssimo costume de evitar os serviços de saúde. Vale aquela velha frase que muitas esposas já ouviram: “Médico pra quê? Pra encontrar alguma doença?”. Com um argumento desses, é difícil convencer um homem a se relacionar com o sistema de saúde em qualquer nível de complexidade.

Eles são mais vulneráveis às doenças, sobretudo às enfermidades graves e crônicas e morrem mais precocemente que as mulheres. Tal fato contribui para a feminização da velhice, o resultado da desigualdade de gênero na expectativa de vida que determina a maior proporção de mulheres do que de homens nas faixas etárias mais avançadas.

Isso posto, surgiu a preocupação do Ministério da Saúde em criar, em 2008, uma política própria para os cuidados à saúde do homem, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, alinhada à Política Nacional de Atenção Básica.

“Muitos agravos poderiam ser evitados caso os homens realizassem, com regularidade, as medidas de prevenção primária. A resistência masculina à atenção primária aumenta não somente a sobrecarga financeira da sociedade, mas também, e, sobretudo, o sofrimento físico e emocional do paciente e de sua família, na luta pela conservação da saúde e da qualidade de vida dessas pessoas. Tratamentos crônicos ou de longa duração têm, em geral, menor adesão, visto que os esquemas terapêuticos exigem um grande empenho do paciente que, em algumas circunstâncias, necessita modificar seus hábitos de vida para cumprir seu tratamento. Tal afirmação também é válida para ações de promoção e prevenção à saúde que requer, na maioria das vezes, mudanças comportamentais.” (Brasil. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, 2008)

É o caso do câncer de próstata, uma neoplasia que geralmente apresenta evolução muito lenta e, portanto, sua mortalidade associada pode ser evitada quando o processo é diagnosticado e tratado precocemente. Uma estimativa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o aparecimento de novos casos de cânceres no ano de 2008 apontou o câncer de próstata como sendo o mais freqüente, só superado pelo câncer de pele não-melanoma na população masculina. Nas regiões Sudeste (78/100 mil) e Nordeste (43/100 mil), entretanto, o câncer da próstata é o mais incidente entre os homens. Na região Sudeste foram detectados em 2012 31.400 novos casos de câncer de próstata, correspondendo a 30,3% de todas as ocorrências de câncer dentre os homens!

O pior é que é uma doença que incide muito mais na velhice: 3/4 dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Lamentavelmente, o único fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento do câncer da próstata é a idade, um fator não modificável. Reforço, então, que é apenas a partir do monitoramento sistemático da saúde da próstata que se poderá detectar o problema e tratá-lo cedo.

Mas saúde da próstata não se resume somente na prevenção contra o câncer. A hiperplasia prostática benigna, por exemplo, é caracterizada pelo aumento do tamanho da próstata, sem relação com essa tão temida doença. E incomoda… Os sintomas mais comuns são a urgência na necessidade de urinar, dor e a sensação de não esvaziamento da bexiga. Casos mais avançados podem levar a retenção, incontinência urinária e problemas renais. Permitir-se viver com esses sintomas que vão se agravando ao longo do tempo por medo de cirurgia e todos os mitos com ela envolvidos é inaceitável. Cabe aos profissionais de saúde, especialmente os da atenção básica, prover constantemente seus pacientes com informação adequada a fim de que se possa trazer o homem para o mesmo nível de preocupação com a saúde que as mulheres conquistaram.

Diante de todas essas preocupações, dando sequência à série de seminários abertos à população na temática do Envelhecimento Ativo, o vereador Gilberto Natalini (PV) organizou com seus parceiros um seminário dedicado especialmente à saúde da próstata, o XXX Ciclo de Debate:

próstata

Participe e indique o evento! Como todos os eventos da Câmara, não há qualquer custo.

Uma observação importante: mesmo que seus pais, avôs ou maridos resistam a participar, mulheres, compareçam! A saúde deve chegar nos lares de uma forma ou de outra!

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Licença Creative Commons
O trabalho “Saúde da próstata: vamos tocar no assunto?” de Renata Cereda Cordeiro foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Brasil.

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