Arquivo do autor:jufisio33

Sarcopenia: Conhecer para diagnosticar!

A diminuição progressiva da massa muscular esquelética é uma mudança grave associada ao envelhecimento, pois pode levar a baixa resistência e perdas na funcionalidade. A sarcopenia é definida como a perda de massa e força muscular relacionada à idade. No entanto a EWGSOP (European Working Group on Sarcopenia in Older People) propõe três critérios para o diagnóstico dessa condição:

  1. Perda de massa muscular
  2. Baixa força muscular
  3. Baixa resistência física

O diagnóstico de sarcopenia dar-se-à na presença do primeiro critério associado com o segundo ou o terceiro critério. O grupo sugere o reconhecimento da sarcopenia como síndrome geriátrica, uma vez que, é prevalente na população idosa.

Os mecanismos envolvidos na sarcopenia incluem a síntese protéica, proteólise, integridade neuromuscular, quantidade de gordura muscular, dentre outros. Embora freqüentemente relacionada ao processo de envelhecimento, a sarcopenia pode ocorrer em adultos e jovens, o que pode ser um bom motivo para classificá-la de acordo com a etiologia, como a seguir:

  1. Sarcopenia primária: quando não há outras causas evidentes, exceto o próprio envelhecimento
  2. Sarcopenia secundária:

B1. Relacionada à atividade: restrição ao leito, estilo de vida sedentário, baixo condicionamento ou condições de gravidade zero.

B2. Relacionada à doença: cardiopatias, pneumopatias, doenças inflamatórias, malignidades e doenças endócrinas.

B3. Relacionada à nutrição: dieta inadequada, má-absorção, doenças gastrointestinais e uso de medicamentos que causam anorexia.

A sarcopenia também é classificada em estágios de acordo com a gravidade, mediante a presença dos critérios já mencionados, como na tabela a seguir:

Identificando a sarcopenia na prática clínica

As variáveis mensuráveis na identificação da sarcopenia são: massa muscular, força e desempenho físico. O desafio é selecionar os melhores métodos de avaliação para cada uma dessas variáveis. A avaliação da massa muscular requer a realização de exames específicos a serem solicitados e orientados por um médico, enquanto a da força muscular e o desempenho físico são possíveis de serem mensuradas por um fisioterapeuta ou educador físico. A seguir são apresentados os métodos mais utilizados para a avaliação da força muscular e do desempenho físico, na pesquisa e na prática clínica:

 

No Setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco utilizamos para a avaliação do desempenho físico o Time Up and Go Test (TUGT) e o teste de sentar e levantar que faz parte do SPPB. Para a avaliação da força muscular utilizaremos em breve, a força de preensão palmar mensurada por meio do dinamômetro manual, que será adquirido com a verba do Concurso Talentos da Maturidade – Santander, pelo qual o Setor foi contemplado.

Como resultado após uma revisão da literatura, o EWGSOP sugere o algoritmo a seguir para identificação da sarcopenia nos indivíduos idosos:

Repercussões funcionais da Sarcopenia para os idosos

A sarcopenia, por se tratar da perda de massa muscular associada à diminuição da força muscular e/ou do desempenho físico, repercute nas habilidades funcionais dos idosos, ou seja, na capacidade dos mesmos realizarem suas atividades de vida diária, especialmente as que requerem maior mobilidade e resistência. Essa repercussão desencadeia um ciclo vicioso, no qual, o idoso gradualmente reduz a freqüência de suas atividades, a intensidade e a duração, até o ponto de abandoná-las e se tornar incapaz de realizá-las de forma segura e satisfatória. Dessa forma, a fraqueza muscular se intensifica pelo mecanismo de desuso, podendo também, estar associado às disfunções nutricionais, dentre outras condições socioeconômicas e psicossociais. O resultado se traduz em quedas, incapacidade, isolamento, depressão, podendo levar a maiores chances de hospitalização, institucionalização e morte.

Preconiza-se que esses acontecimentos sejam evitados, por meio da identificação precoce da sarcopenia e em seguida, do encaminhamento para um serviço de reabilitação especializado. A intervenção da equipe multidisciplinar, especialmente, geriatra, fisioterapeuta e nutricionista tende a reduzir os riscos de progressão e prevenir eventos adversos da sarcopenia.

Fonte:

ALFONSO J. CRUZ-JENTOFT, et al. Sarcopenia: European consensus on definition and diagnosis. Age and Ageing 2010; 39: 412–423

Licença Creative Commons
Sarcopenia: Conhecer para diagnosticar! de http://wp.me/p1dHJ9-4k é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.
Perssões além do escopo dessa licença podem estar disponível em https://reabgeronto.wordpress.com/fale/.

Aconteceu: I° Fórum Público do Bairro Amigo do Idoso da Vila Clementino

Aconteceu: I° Fórum Público do Bairro Amigo do Idoso da Vila Clementino

Realizado na manhã de ontem, 29 de março de 2011, no Teatro João Caetano, o evento contou com a presença de representantes de entidades e instituições públicas, prefeituras, conselhos e coordenadorias envolvidas com as questões do envelhecimento, além de pessoas idosas residentes no bairro envolvidas no projeto ou não. Compuseram a mesa de abertura Dr. Alexandre Kalache, ex-diretor do Programa de Envelhecimento da OMS (1994-2007) e idealizador do projeto Cidades Amigas do Idoso, Dr. Luiz Roberto Ramos, Professor Titular do Departamento de Medicina Preventiva – Unifesp, Hélio de Oliveira representante da Coordenadoria do Idoso do município de São Paulo, Lilian Galvão, representante da subprefeitura da Vila Mariana, Maria C. Nogueira do Instituto de Saúde, Marcel Tomé representando o Grande Conselho Municipal do Idoso, o Vereador Gilberto Natalini, autor do projeto de Lei nº 223/2008 de 11/04/2008, que cria o Programa de Envelhecimento Ativo e dá suas providências para o município. Projeto este que se tornou Lei nº14905 sancionada em 06/02/2009 e publicada no Diário Oficial do Município em 07/02/2009. Participou também, apresentando o projeto do bairro Vila Clementino, Tereza Etsuko C. Rosa do Instituto de Saúde – SES/SP.

O projeto Bairro Amigo do Idoso surgiu a partir da idealização e da experiência do Dr. Alexandre Kalache, que inicialmente propôs o projeto Cidades Amigas do Idoso para o município de São Paulo, uma vez que, participou e presenciou a implantação do mesmo em diversas cidades do mundo. Admitiu-se que na cidade de São Paulo, dada a sua extensão e heterogeneidade, o projeto pudesse ser desenvolvido nos bairros, primeiramente, e progressivamente expandir-se para toda a cidade. Algumas cidades do estado de São Paulo aderiram à proposta e já iniciaram suas ações no sentido de serem reconhecidas como Cidade Amiga do Idoso, dentre elas foram citadas: São Caetano do Sul, Santo André, Campinas, Ribeirão Preto, dentre outras.

O objetivo geral do projeto, coordenado pela Dra. Tereza Rosa e financiado pela FAPESP, é estabelecer diretrizes para a implementação de cidades amigas do idoso, no sentido de subsidiar os gestores do poder público na criação de redes integradas de atenção à pessoa idosa de serviços de saúde, sociais, de educação, lazer e cultura. Para isso, três procedimentos foram estabelecidos para guiar aos resultados desejados:

  1. Levantamento dos equipamentos e serviços do bairro;
  2. Envolvimento dos membros da comunidade na coleta de dados: constituição de grupos focais nos quais serão abordados temas e problemas pertinentes;
  3. Subsídios para a rede de atenção à pessoa idosa do bairro: inclui a realização de fóruns para disseminar os resultados e suscitar a elaboração de ações para solucionar os problemas levantados, realização de oficinas e treinamentos das equipes das instituições parceiras, bem como, orientação e monitoramento de todas as ações propostas.

O projeto Cidade Amiga do Idoso foi lançado pela OMS no XVIII Congresso da Associação Internacional de Gerontologia e Geriatria no Rio de Janeiro, em junho de 2005. A OMS e seus parceiros, em 33 cidades de 22 países, pediram a cerca de 1500 idosos que apontassem os aspectos positivos e os obstáculos que eles encontram na cidade em que vivem. Para isso foram previamente estabelecidos oito domínios, sendo esses, utilizados como modelo para direcionar os questionamentos:

Domínios a serem contemplados nos grupos focais a serem formados para a discussão do projeto Bairro Amigo do Idoso da Vila Clementino

Esses elementos representam grandes áreas em que os idosos estão envolvidos ou deixam de se envolver por diversos motivos. Identificar os motivos pelos quais os idosos apresentam essas dificuldades é um dos objetivos específicos do projeto. Nota-se que, de alguma forma, esses elementos se relacionam entre si, por isso a equipe que desenvolveu o projeto criou um esquema em forma de margarida para representar essa relação.

Após a apresentação do projeto, foi oferecida ao público a oportunidade de expor suas idéias e sugestões. Nesse momento, muitas reivindicações vieram à tona, fato esse esperado para esse tipo de evento. No entanto, diante da complexidade do tema envelhecimento, algumas considerações foram relevantes, como por exemplo, o depoimento de uma idosa que se demonstrou ofendida com o tema do projeto discutido, pois do seu ponto de vista, ele segrega a população idosa a uma condição inferior ao restante da população. Ela destacou, no final, que a cidade deveria ser amiga de todos. Na verdade, considerações a esse respeito foram apresentadas ao longo do evento, uma vez que, o projeto tem como base o material sobre Envelhecimento Ativo elaborado pela OMS em 2005 que recomenda pensarmos no envelhecimento saudável e bem sucedido desde a infância. Isso implica ações como as defendidas pela Profa. Zally Pinto Vasconcellos de Queiroz, que apontou a importância e a necessidade do ensino sobre o processo de envelhecimento desde a educação básica, com o objetivo de eliminar da nossa cultura os estigmas e estereótipos relacionados à velhice. Opinião reforçada pelo Dr. Alexandre Kalache que, ainda,  acrescentou a necessidade do ensino sobre envelhecimento na graduação e do incentivo à pós-graduação na área.

A participação popular merece destaque em fóruns como esse, na medida em que trazem novos problemas, sugestões e idéias para tornar as iniciativas satisfatórias à maioria das pessoas. Em breve, as fases seguintes do projeto começarão a acontecer e mais assuntos e considerações serão apontados por pessoas que estão envelhecendo, assim as estratégias e intervenções serão direcionadas aos problemas levantados. Será estabelecida oficialmente a maneira como as instituições localizadas na região contribuirão para com o projeto, inclusive com relação à participação do Lar Escola São Francisco. Outros fóruns estão previstos para a divulgação desses resultados. Aguardem mais notícias a respeito.

Links relacionados:

WWW.natalini.com.br

WWW.who.int/ageing/gen

WWW.saude.gov.br