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Aprovado o PL 527/2010 que institui o Centro-dia do Idoso Fragilizado no município de São Paulo!

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Usuários do centro-dia mantido pela AFAI comemoram. Fonte: http://goo.gl/Qfyzd

Mais uma conquista para o município! Finalmente as questões do envelhecimento vêm mobilizando o poder público a avançar na elaboração de projetos de lei que equacionem as demandas desse segmento populacional, pelo menos no que concerne à saúde e à assistência social. Foi aprovado no dia 22/05/2013 o Projeto de Lei 527/2010 – de autoria do Vereador Dalton Silvano (PV) – que institui o Centro-dia do Idoso Fragilizado em São Paulo.

Contribuições iniciais para o substitutivo do PL527/2010, a convite do Vereador Dalton Silvano.

Contribuições iniciais para o substitutivo do PL527/2010, a convite do Vereador Dalton Silvano. Salão Nobre da CMSP, 24/04/2012.

Na tribuna. Salão Nobre da CMSP, 24/04/2012.

Tive a grata oportunidade de participar ativamente no substitutivo do primeiro texto do PL 527/2010, por convite da Associação dos Familiares e Amigos do Idoso (AFAI) que mantém um centro-dia modelo para pessoas idosas fragilizadas, muitas das quais, com demências como a do tipo Alzheimer.  Na ocasião, de posse do primeiro texto e considerando-o insipiente nos quesitos finalidade, profissionais envolvidos, equacionamento de demandas regionais, dentre outros aspectos, fui convidada pelo nobre vereador a compor a discussão na tribuna. Decorrido aproximadamente um mês da audiência pública em que se discutiu amplamente o primeiro texto do PL, uma reunião com especialistas na Câmara foi agendada – na qual também estive presente – para o debate de alguns detalhes na redação final do projeto. Na ocasião frisei que o equipamento deveria ter clara distinção dos centros de convivência, tanto no escopo como nas práticas assistenciais. 

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Apoiadores do PL527/2010 na CMSP, Salão Nobre, 24/04/2012.

A questão de objeto que apontei referia-se ao conceito norteador de “idoso frágil” ou “semi-dependente” que seria empregado para o acesso da população ao equipamento. Segundo quais critérios a rede pública de saúde encaminharia pacientes idosos para esse tipo de equipamento? Muito atento a essa demanda e às demais ponderações dos colegas gerontólogos, Dalton Silvano aprimorou a proposta original e (1) apresentou o conceito de “semi-dependente”; (2) acrescentou a possibilidade de fornecimento de transporte e alimentação aos idosos e, (3) o horário de funcionamento dos centros foi definido para das 7 às 18 horas.  Continuar lendo

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O que temem os idosos hoje?

A muitas pessoas assusta envelhecer. Preocupa-lhes ver como, com o passar dos anos, o corpo muda, as defesas contra as doenças diminuem, alguns amigos e familiares começam a partir e já não resta tanta energia nem tempo para “fazer coisas”. 

O medo é uma das emoções mais paralisantes dentro do espectro humano e animal. Uma vez submetido ao medo, torna-se muito difícil aprender novas informações e realizar atividades diárias de maneira habitual por hiperatividade da amígdala e de todo o sistema límbico no nível cerebral.

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Os medos, como explica o Presidente da Sociedade de Geriatria e Gerontologia do Chile, Dr. Vítor Hugo Carrasco, “são influenciados pela cultura, o grau de suporte social, o conhecimento da doença e a experiência passada, a perda da independência, considerar-se um peso para a família, a perda do controle por deterioração física ou mental, de não poder-se livrar de dores, a perda da consciência por sedação, de ser esquecido facilmente, sofrer sem dignidade, ou a recorrência de pensamentos de morrer só ou sem ninguém que o queira”, indica.

“É importante ressaltar que dentre os medos mais importantes que todos temos, há os que estão presentes na maioria das pessoas idosas. Curiosamente, não é o medo da morte, mas do sofrimento quando esta se aproxima, particularmente a dor física e sobretudo o temor de ser dependente e de não poder cuidar de si  mesmo. Ser um “peso” literalmente aterroriza as pessoas de idade avançada”, sustenta o especialista.

Quando falamos de medo nas pessoas idosas, como explica a psicóloga clínica da Sociedade de Geriatria e Gerontologia do Chile, Maria José Gálvez, pode-se diferenciá-los em:

  • Medos relacionados a perdas de papéis sociais
  • Medos relacionados a mudanças na funcionalidade
  • Medos de problemas de saúde específicos
Medo de perda de papéis sociais

Na velhice ocorre uma série de perdas sociais, por exemplo: “a perda do papel social de trabalhador para aposentado. Neste sentido, e sobretudo nos homens, aparece o medo de ser excluído socialmente numa cultura onde a produção é chave. Num sentido extremo, o idoso teme ser excluído e tende a isolar-se como um mecanismo de defesa”, detalha a especialista.

Também existe o medo de perda de suporte social que é aumentado em viúvos(as), mais ainda quando há más  relações com os demais membros da família.

Em um nível extremo, estaria o medo de morrer só e sem dinheiro.

Medo de mudanças na funcionalidade

O principal medo das pessoas idosas é o da dependência, ao não conseguir autocuidar-se e ter de depender de outros para executar as atividades de vida diária. Esse medo ainda envolve ser uma carga para os filhos ou cônjuge.

Também aqui se poderiam situar os medos de déficits sensoriais, como perder a visão ou a audição e os medos relacionados com a mobilidade, como ficar prostrado ou ter de contar com dispositivos de auxílio como bengalas e andadores. As mudanças na funcionalidade podem se dar no nível físico ou mental. Outro grande temor dos idosos é a perda da memória e da capacidade de decisão, o que lhes leva a ter que delegar algumas atividades instrumentais da vida diária como dirigir, manejo das finanças e da medicação. A condição anterior implica um nível de vulnerabilidade importante quando o suporte social não é adequado e a pessoa deve confiar em pessoas alheias aos entes queridos para questões tão importantes como o seu patrimônio ou seus medicamentos.

Medo de doenças específicas

Estudos nacionais e internacionais mencionam as enfermidades mais temidas pelas pessoas idosas. Seriam: a demência, especificamente a do tipo Alzheimer, o câncer e as doenças neurológicas relacionadas com a perda da mobilidade. Também existe um temor relevante da diálise. Além disso, temem o momento da comunicação do diagnóstico, o que leva muitas pessoas a deixar de realizar exames ou controles médicos pelo temor de seus resultados.

Não menos importante é o medo de cair e da síndrome pós-queda, este último, ocorrendo aos idosos que já tenham tido um episódio de queda ou que saibam ou tenham presenciado alguém a cair. Isto os leve muitas vezes a deixar de sair e de usar transporte público.

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Este texto foi traduzido e adaptado do original “¿A qué le temen los adultos mayores hoy?” publicado em 22/04/2013 pelo jornal chileno Publimetro.  

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Este trabalho de Publimetro.cl, foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em http://www.publimetro.cl/nota/teknik/a-que-le-temen-los-adultos-mayores-hoy/xIQmdv!hIFn6KNj1AA/. Tradução de Renata Cereda Cordeiro.