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Musicoterapia também é Carnaval!

Grito de Carnaval foi o tema abordado pela Musicoterapia, sexta-feira, 17/02, no LarEscola.

Por Ana Maria Caramujo

No dia 17 de fevereiro de 2012, das 13:30 horas às 16:30 horas, o Setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco deu seu Grito de Carnaval, por meio dos Grupos Musicoterapia-Motivação e Musicoterapia Preventiva.

Essa alegria se deu ao som das marchinhas de carnaval, máscaras, fru-frus, serpentinas e confetes pertencentes a um tempo em que as famílias brasileiras brincavam o carnaval de forma saudável e lúdica. Sabendo que a música evoca lembranças e recordações que faz emergir emoções e sentimentos, nada melhor do que as marchinhas de carnaval – preferências dos idosos – para promover alegria, descontração, ânimo para viver e desfrutar as benesses da vida.

Cuidadora familiar e paciente: atividade sentada

As estagiárias atuais, Gabriela Chinen e Letícia Tanelli, orientadas pela  supervisora Ana Maria Caramujo, do Curso de Graduação de Musicoterapia da FMU, sob a Coordenação de Maristela Smith, usam técnicas musicoterapêuticas próprias para desenvolver ou resgatar a autoestima, atenção, concentração; preservar a autonomia, a memória; buscar o autoconhecimento, dentre outros aspectos. Ingressam nos grupos de Musicoterapia pessoas com idades a partir dos 60, indicados pela equipe multiprofissional para a terapia por sofrerem de depressão, sentimento de solidão, por vezes incompreensão, além daqueles que almejam manter-se ativos e saudáveis. Os acompanhantes e cuidadores são bem-vindos e beneficiam-se, juntos, dessa nova forma de comunicação entre gerações, por meio dos sons,  da música e de todas as reminiscências que evocam.

Supervisora (Profa. Ana Maria Caramujo), estagiária Letícia Tanelli (de avental branco) e pacientes: atividade de grupo em roda

No nosso Grito de Carnaval, os pacientes do LarEscola resgataram as boas lembranças da infância, juventude, assim como a lembrança de pessoas muito queridas que com elas compartilharam tantos carnavais. E acreditem, quem chegou de cadeira de roda, bengala, triste, com dor ou insatisfeito com algo, durante a sessão de musicoterapia, ao cantar, dançar, brincar o nosso carnaval, acompanhando o ritmo com palmas, com o os braços, com os pés, com movimentos grupais e com instrumentos feitos com sucata, sentiram-se tão bem que quem estava na cadeira de rodas até conseguiu ficar em pé e dentro de suas possibilidades dançou e se movimentou com o corpo todo! Além disso, foi uma oportunidade incomparável, para aqueles que nunca brincaram um carnaval. Assim, Carnaval aqui no LarEscola é terapia. Todos saíram felizes, leves, eretos, com a sensação de renovação, de poder existir de forma digna e plena.

Em Musicoterapia, isso é possível, porque todo e qualquer instrumento ou objeto que produza som, assim como a música e os seus elementos sonoros, desde que tenha um significado para o paciente pode ser terapêutico.

O carnaval dentro de um programa musicoterapêutico pode trazer benefícios à saúde emocional, física, mental e espiritual. Tudo isso é possível porque o setting musicoterapêutico, quer dizer, o espaço musicoterapêutico pode ser um lugar “sagrado”, dependendo de quem o conduza, uma vez que nós terapeutas estamos o tempo todo lidando com o corpo que é o “templo do espírito”, com a alma e com a essência do Ser.

Os estímulos são oferecidos de acordo com as potencialidades e limites do paciente idoso. Estar descalço favorece a percepção vibratória.

Sexta-feira, o Grito de Carnaval não começou no Sambódromo, começou nos Grupos de Musicoterapia do Departamento de Gerontologia do LarEscola e foi um sucesso!

Saiba mais sobre musicoterapia

Para quem ainda não conhece a Musicoterapia, é um tratamento que utiliza a música, o som e os seus elementos sonoros para prevenir, diagnosticar e tratar dentro de um programa sistemático e planejado, com técnicas próprias, buscando a saúde física, psíquica, mental e espiritual. O musicoterapeuta e as estagiárias em musicoterapia planejam as sessões de acordo com o repertório musical dos pacientes, seu histórico sonoro e suas respectivas queixas.

Aqui, no Programa Ambulatorial da Gerontologia do LarEscola, há três tipos de atendimentos em musicoterapia: 1) Grupo de Idosos com Depressão; 2) Grupo de Prevenção e 3) Grupos Funcionais juntamente com a Terapia Ocupacional. Os encaminhamentos acontecem nas reuniões interdisciplinares, quer dizer, com todos os profissionais da saúde: Médico Geriatra e Médicos Residentes; Psicóloga; Fisioterapeutas e Estagiários; Fonoaudióloga; Terapeuta Ocupacional, Estagiárias de Musicoterapia e Musicoterapeuta; Assistentes Sociais, entre outros.

Deixo aqui nossos agradecimentos para a Coordenadora do Curso de Graduação em Musicoterapia da FMU – Professora Ms. Maristela Smith, para a Coordenadora da Gerontologia do LarEscola – Professora Ms. Renata Cereda, a Psicóloga Maria Inês da Silva o Geriatra Dr. Rodrigo Ambros Wallau, para a T.O. Maria Fernanda Kramm e estendidos a toda equipe do setor, pois sem eles não  seria possível desenvolver esse trabalho que tantos frutos tem colhido.

O nosso muito obrigada e até o próximo evento com as próximas notícias!

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Guia de Reabilitação Manole

Em 01 de junho deste ano foi lançado o Guia de Reabilitação, mais uma obra de uma extensa e bem sucedida série Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar da Unifesp. Organizado pelo Prof. Dr. José Roberto Jardim e pelo Dr. Oliver A. Nascimento, essa obra enfatiza, de modo objetivo, o passo-a-passo para a implantação e o desenvolvimento de um grande centro de reabilitação. Tudo isso baseado na experiência acumulada em 67 anos pelo primeiro centro de reabilitação física do país, o Lar Escola São Francisco, conveniado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

guia de reab

Jardim JR, Nascimento OA (org). Reabilitação. 1a ed. São Paulo: Manole, 2010.

Trata-se de uma obra robusta que contou com a participação de 115 autores em 43 capítulos divididos em seções ou partes: Organizacional, Atividade Física Adaptada, Nutrição, Psicopedagogia, Gerontologia, Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Centro de Reabilitação Pulmonar, Odontologia, Reumatologia, Fisiatria, Oficina Ortopédica, Fisioterapia, Serviço Social, Enfermagem e Escola de Educação Especial. A quase totalidade dos autores é colaborador desta grande instituição filantrópica que, aliada à Unifesp e demais instituições de ensino, é um local de efervescência acadêmica.

O leitor é então introduzido ao universo da reabilitação na prática: nenhum autor poupou esforços em detalhar a prática que faz com que o Lar Escola seja a instituição de reabilitação mais longeva deste país. Vale ressaltar que nenhuma prática se sustenta sem fundamentação. Nesse quesito a obra também surpreende, sem economia de conceitos aprofundados e referências baseadas na literatura internacional. Diferentemente de outras obras do gênero, não se fica nem completamente estagnado na idéia do “como eu trato”, tampouco constitui-se como uma colagem de artigos científicos altamente especializados e “up-to-date” em cada área.

Na parte 5, Gerontologia, são apresentados quatro capítulos: “Princípios de Reabilitação Gerontológica”, por Renata Cereda Cordeiro; “Doença de Alzheimer – do diagnóstico ao tratamento medicamentoso”, por Loretta Di Giunta; “Reabilitação nas Síndromes Demenciais”, por Renata Cereda Cordeiro, Sabrina Marcondes Teixeira da Silva e Cristiane Amorosino; e, por fim, “Depressão em idosos: manejo e estratégias em Reabilitação”, por Loretta Di Giunta, Renata Cereda Cordeiro, Maria Inês da Silva e Cristiane Amorosino.  Optamos por apresentar um capítulo que se ocupasse consistentemente  do conceito de Reabilitação Gerontológica e de que forma essas novas concepções afetam a gestão de um serviço voltado para o público idoso e suas famílias. Os demais capítulos enfatizam  abordagens de tratamento não convencionais em um centro de reabilitação que se ocupa predominantemente da deficiência física.

Acreditamos que o leitor terá inúmeras oportunidades de aprender sobre a reabilitação em condições como a dor e a limitação de movimentos em outros capítulos, de modo que a Gerontologia se preocupou em lidar com dois grandes problemas de saúde pública que vêm chegando de modo epidêmico no nível ambulatorial: as demências e a depressão. Estaria toda a equipe multiprofissional preparada em reabilitação para manejar as doenças neuropsiquiátricas?  Após a leitura desta obra, certamente o leitor chegará à conclusão que ela é imprescindível por romper paradigmas na saúde do idoso e desvelar estratégias de enfrentamento dos problemas mais impactantes dessa população.

Maiores detalhes sobre a obra, preço atualizado e vídeo contendo entrevista com os organizadores podem ser acessados clicando aqui.