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III Congresso Municipal sobre Envelhecimento Ativo. São Paulo: Cidade Amiga do Idoso

logo-congresso-2015Sob o tema “Ações para uma São Paulo Amiga do Idoso: quem financia?”, esta nova edição do Congresso Municipal sobre Envelhecimento Ativo provoca os participantes a debaterem, com transparência, um dos maiores problemas enfrentados por todos aqueles que ousam produzir na área do envelhecimento: financiamento.

O congresso trará especialistas no tema que abordarão este delicado tema sob os pontos de vista do setor público, privado e terceiro setor. Já estão confirmadas diversas personalidades participantes, dentre as quais, agentes públicos como os vereadores Gilberto Natalini (proponente do evento), Mario Covas Neto e o Secretário Municipal de Direitos Humanos Eduardo Suplicy; consultores de destaque nas áreas do envelhecimento e projetos de responsabilidade social, como Alexandre Kalache e Fabio Ribas Jr; Adriana Zorub Fonte Feal, Áurea Eleotério Soares Barroso e Fernando Lopes e muitos mais (veja a programação).

Destacamos também o tradicional concurso de trabalhos. Neste ano, a proposta está alinhada com o escopo geral do evento, valorizando as ações concretas na forma de projetos e/ou programas voltados para a população idosa. Poderão participar pessoas físicas e jurídicas, governamentais ou não governamentais, que estejam refletindo sobre ações acerca de duas grandes áreas temáticas: (1) atenção ao idoso frágil e/ou socialmente vulnerável, bem como à sua família; (2) envelhecimento empreendedor e criativo. Os trabalhos serão avaliados por comissão avaliadora formada por especialistas que atuam na área. E uma boa notícia: o prêmio não será destinado apenas a iniciativas regionais. Podem ser inscritos trabalhos de todo o Brasil! Saiba mais em http://envelhecimentoativo.com/concurso-de-posteres/

Os dois primeiros colocados ganharão prêmio em dinheiro e a apresentação oral. O terceiro e quarto colocados serão convidados a apresentar oralmente seus trabalhos na mesma mesa. Todos os trabalhos qualificados ganharão visibilidade em nosso site, pois publicaremos seus resumos. Divulgue e incentive o trabalho de quem luta por qualificar a atenção à pessoa idosa!

Data: Sábado, 03 de outubro de 2015, das 8h30 às 17h.
Local: Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, 8º andar – Viaduto Jacareí, 100 – Bela Vista – São Paulo
Investimento: gratuito
Público-alvo: todos os interessados na área
Inscrições: http://envelhecimentoativo.com/inscricao/
Maiores informações: http://envelhecimentoativo.com
Folder:
FolderIIICongEnvAtivo_v4_FT

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III Encontro de Assistência Multiprofissional ao Idoso

cartaz III EAMI 2014

No dia 30/05/2014, sexta-feira, Guarulhos sediará o III Encontro de Assistência Multiprofissional ao Idoso, tradicionalmente orientado pelas trocas de experiências nas melhores práticas de saúde em instituições de longa permanência para idosos (ILPI). O evento é destinado a profissionais de saúde que atuam com esse público-alvo. Maiores informações e inscrições podem ser feitas através do e-mail dramartasilva@hotmail.com (envie nome, e-mail, endereço e telefone).

Veja os detalhes a seguir:

PROGRAMAÇÃO:

12h00 às 13h00: inscrições e entrega do material

13h00 – Abertura

13h05 –  Banco de dados em ILPIs:  instrumento facilitador de informações da equipe multiprofissionalMarta Cristina Silva, graduada em Fisioterapia – FIG/1996 e Ed. Física UNIMESP/1992, especialista em Aparelho Locomotor – UNIFESP/2001, consultora de Ergonomia (LER/DORT) CN ROSSI e ANAFIT /2001, Especialista em Gerontologia – FMUSP/2001, é fisioterapeuta responsável pelo setor na AC.S.C.  Lar Madre Regina.

13h20 – Cuidados com a utilização de medicamentosChristine Grützmann Faustino, graduação em Farmácia Industrial – UEL/ 2002,  especialista em Farmácia Hospitalar pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo,mestre em Ciências (FMUSP). Atualmente , é doutoranda na mesma universidade e realiza palestras sobre o uso de medicamentos em idosos com experiência em Drogarias e Farmácia Hospitalar.

13h50 – Adaptação e Inserção do Idoso e Família em ILPI – Eliana Novaes Procópio de Araújo, graduada em Psicologia (PUC SP/1978), mestre em Gerontologia (PUC-SP), professora do curso de Pó -Graduação da Faculdade Paulista de Serviço Social em Gerontologia e do Curso de Especialização em Gerontologia do Cogeae – PUC-SP. Membro do Observatório da Longevidade Humana (OLHE) e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG-SP). Autora do livro Práticas Psicogerontológicas nos Cuidados de Idosos. Experiência em gestão de serviços psicogerontológicos em Instituição de longa permanência e em centro-dia.

14h10 – A importância do trabalho da equipe multidisciplinar/vivências e resultados alcançados para o público idosoDayana Nicoletti Braga, Gerente Assistencial do CRI Norte. Pós-graduada em Administração Hospitalar (FGV) e Gerontologia (UNIFESP).

14h30 – Papel do enfermeiro nas ILPISSuzana Aparecida dos Santos, graduada pela  Faculdade Paulista de Ciências da Saúde de S.P., pós-graduada em Gerontologia – UNINOVE, MBA em Gestão de Pessoas – UNINOVE, atual supervisora administrativa no Lar de Idosos Pedro Balázs.

14h50 às 15h30 – Fórum de estratégias de equipes: questionamentos profissionais – Christine G. Faustino, Eliana Novaes Procópio de Araújo, Dayana N. Braga e  Suzana Aparecida dos Santos.

15h30 às 15h45 – INTERVALO

15h45 – A importância do Regulamento Interno de funcionários, para o bom funcionamento de uma ILPIsAdriana M. S. Savio, advogada, mestre pela Université Paul Cezane(França) em Direito Europeu, doutoranda em Direito Internacional Ambiental pela Ecole Doctorale Pierre Couvrat- Université de Droit de Poitiers (França) e empresária da Residência Primavera / e Dr. Claudio Stucchi- especialista no 3º setor e sócio da empresa PREVENER CONSULTORIA.

16h05 – Orientações nutricionais para pacientes frágeis de ILPIsAna Paula Maeda– CRI/ZN- Nutricionista, Especialista em Gerontologia pela UNIFESP. Mestre em Saúde Pública – USP. Coordenadora em Gerontologia do CRI Norte.

16h20 – Orientações odontológicas para pacientes de ILPIsBruno Guardieiro – CRI/ZN- Responsável pelo Serviço de Odontologia do CRI/ZN, colaborador da Disciplina de Geriatria e Gerontologia da UNIFESP, residência em Odontologia Hospitalar HCFMUSP, especialista em Implantodontia UNICSUL, doutorando pelo Instituto do Coração HCFMUSP.

16h35 – A Fonoaudiologia contribuindo para a atenção ao Idoso de ILPIsGiuliana Miramontes Ribeiro – Fonoaudióloga Especialista em Voz pelo Centro de Estudo da Voz e em Disfagia Neurogênica e Mecânica pelo Hospital A.C.Camargo. Aprimoramento em Disfagia Infantil pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Atua no Hospital Alemão Oswaldo Cruz e realiza atendimentos no HOME CARE.

16h50 –Fórum de estratégias de equipes: questionamentos profissionaisAdriana M. S. Savio, Ana Paula Maeda, Bruno Guardieiro, Giuliana Miramontes Ribeiro.

17h30 – ENCERRAMENTO

Síntese do encontro sobre a Doença de Alzheimer na Câmara Municipal de São Paulo

Conforme divulgado, o Vereador Natalini e a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) realizaram, no dia 20/05, o XXIX Ciclo de Debate Município Saudável, cujo tema foi Doença de Alzheimer (DA). O evento contou com o apoio da Support Advanced Medical Nutrition da Danone Company e deste blog. A reunião que possibilitou a organização deste evento já foi publicada aqui anteriormente. O blog ficou responsável por ampliar a divulgação nos meios gerontológicos. Com efeito, pude encontrar diversos colegas no evento que lotou o Auditório Prestes Maia sem esforço.

Público idoso e gerontólogos lotaram o Auditório Prestes Maia

Público idoso e gerontólogos lotaram o Auditório Prestes Maia

O vereador Natalini (PV), quem trouxe o debate à Câmara, contou sua experiência pessoal. Além de médico, há nove anos sua mãe foi diagnosticada com a doença. “É duro, e o tratamento ainda não tem resultados mais satisfatórios”, observou. Para ele, é preciso investir na formação dos cuidadores voluntários, como familiares, tanto quanto dos profissionais. “Sabemos o quanto isso incide na vida das famílias, no aspecto financeiro, social e humano”, argumentou.  Continuar lendo

1º sorteio de livro! Comemorando as 20.000 visualizações!

Caros leitores,

no final da semana passada o blog atingiu a importante marca das 20.000 visualizações! E é isso que iremos comemorar a partir de hoje!

Para um blog de nicho, com um tema tão específico, isso significa um marco expressivo de sucesso. Desde sua criação, mesmo que motivada por fatores distintos na época, sempre foi uma opção a criação de textos originais como regra, ao contrário de outros que reproduzem textos jornalísticos da internet. Tanto que agora cada matéria apresenta em seu rodapé uma licença Creative Commons para instruir melhor os leitores que quiserem modificar, compartilhar e difundir os conteúdos de cada texto. A necessária reflexão que cada post exige explica o porquê da não publicação diária.

Só para contextualizar melhor, é sempre bom lhe reavivar a memória. Criei em equipe o blog com a finalidade de divulgar assuntos relacionados estritamente à reabilitação de pessoas idosas e, primordialmente, relatar as diversas fases do projeto premiado pelo banco Santander em 2010, o “Resgatando a autonomia da pessoa idosa” (categoria Programas Exemplares). Com a extinção do setor (leia relato aqui) o blog entrou numa difícil crise de identidade. Como eu mesma tomei a inciativa por sua criação na época, tive de escolher um dos caminhos possíveis para esse site: mantê-lo sem atualizações, cancelá-lo ou transformá-lo.

Primeiro cabeçalho do blog.

Primeiro cabeçalho do blog.

Os leitores já devem ter percebido que minha escolha foi a mais desafiadora, embora mais gratificante: transformar esse blog numa ferramenta de divulgação e discussão sobre Reabilitação Gerontológica, políticas públicas, eventos e demais prestações de serviços de utilidade pública.

O blog ainda está em paulatina transformação. Deixa para trás o caráter institucional e passa a ser mais pessoal. Vai deixando de ser expectador da realidade e almeja a ser dialogado com a comunidade. Também quer ser provocador… Enfim, vai assumindo mais a cara de seu único autor. Pelo menos por enquanto.

Clique sobre a imagem para acessar o formulário

Clique sobre a imagem para acessar o formulário

E para comemorar tudo isso em grande estilo, proponho um sorteio do recém-lançado livro “Velhices: experiências e desafios nas políticas públicas do envelhecimento ativo”, organizado por Tereza Etsuko da Costa Rosa, Áurea Eleotério Soares Barroso e Marília Cristina Prado Louvison. Escrevi um capítulo sobre nossa experiência em Reabilitação Gerontológica, o que meu deu o privilégio de ter alguns exemplares para distribuir gratuitamente, bem como fazer um ou mais sorteios. A respeito do livro, já publiquei algumas informações anteriormente (clique aqui).

Será o primeiro sorteio do blog e tenho certeza de presenciar um grande sucesso! As únicas regras para participar são: (1) acompanhar o blog (veja imagem abaixo) e (2) preencher o seguinte formulário: http://goo.gl/951jk (caso tenha algum problema para abrir o link, entre em contato ou envie um comentário)

captura da primeira tela do blog

Veja as instruções em vermelho. Passo 1 – escrever seu email no campo. Passo 2 – clique no botão. Clique na imagem para ser direcionado.

Os formulários gerarão uma planilha. Após a exclusão de dados em duplicata, realizarei o sorteio pelo random.org assim que obtivermos 100 inscrições ou nos próximos 30 dias, o que ocorrer primeiro.

O ganhador receberá um email para informar seu endereço de entrega (não terá custo). Caso não responda em 3 dias, serei obrigada a realizar novo sorteio. Se o ganhador residir fora do Brasil, vamos discutir a melhor forma de envio e eventual divisão dos encargos de postagem.

Se houver muita procura, farei um novo sorteio, incluindo quem já participou do primeiro. Portanto, quanto mais divulgação todos nós fizermos, melhor para todos.

O exemplar vai com dedicatória!

Muito obrigada pelas 20.000 visualizações e que venham logo as 30.000, 50.000, 100.000… Continuem participando! Comentem! Divulguem!

Um abraço,

Renata Cereda

Licença Creative Commons
O trabalho 1º sorteio de livro! Comemorando as 20.000 visualizações! de Renata Cereda Cordeiro foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
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Instituto de Saúde lança livro sobre políticas do envelhecimento ativo em 26/04/13

Instituto de Saúde (IS) lançará o livro “Velhices: experiências e desafios nas políticas do envelhecimento ativo” no dia 26 de abril, às 14h30, no Auditório Walter Leser, localizado na Rua Santo Antônio, 590, Bela Vista, São Paulo, SP. O livro reúne 32 capítulos de autoria de pesquisadores do IS, de outros institutos de pesquisa e profissionais de entidades que trabalham com idosos. Os textos relatam experiências de implantação de políticas públicas voltadas para o envelhecimento ativo em entidades, bairros e cidades. A publicação é o 14º volume da série “Temas em Saúde Coletiva”.

Antes do lançamento será realizado um coffee para a recepção dos convidados. Na abertura do evento haverá a apresentação do livro pela diretora do Instituto de Saúde, Luiza Sterman Heimann, e pelas organizadoras da publicação, Tereza Etsuko da Costa Rosa, Marília Louvison e Áurea Eleutério Soares. Em seguida, o Prof. Dr. Luiz Ramos, da Unifesp, comentará suas experiências para o desenvolvimento de iniciativas amigas do idoso no Bairro da Vila Clementino, na capital paulista. O lançamento também contará com a presença de Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade (CIL), falando sobre a importância das experiências globais e locais para a efetividade do marco político do Envelhecimento Ativo.

Um capítulo sobre o setor de Reabilitação Gerontológica do extinto centro de reabilitação Lar Escola São Francisco (agora uma unidade da AACD), fará parte da obra (clique aqui para saber mais sobre essa história). No decorrer da elaboração do capítulo, recebemos a notícia do fechamento do setor, evento devastador para a equipe e seus beneficiários, todos do SUS. Entretanto, as organizadoras da obra compreenderam que o equipamento pioneiro teve relevância local e estadual e contribuiu com a formação da rede de suporte formal à saúde de tantas pessoas idosas. Deixar um registro histórico seria, sob seu ponto de vista, importante para o campo da Reabilitação Gerontológica, cujas especificidades ainda são mal compreendidas pelos profissionais e gestores tanto em reabilitação como em Geriatria/Gerontologia. Fico realmente feliz em ter colaborado com a obra, sempre na esperança de um dia podermos reproduzir e multiplicar essa modalidade de atenção. 

O livro será distribuído em diversas bibliotecas, centros e institutos de pesquisa e universidades. As pessoas que estiverem presentes no evento de lançamento também receberão um exemplar. A partir deste dia o Instituto de Saúde também disponibilizará a publicação em seu site.

folder livro IS

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Página A2 do Estado de São Paulo e o Setor de Reabilitação Gerontológica hoje: reflexões com pitadas psicanalíticas

Desde o início de julho deste ano tenho esperado pela sensação de urgência necessária ao propósito de relatar o que ocorreu nessa época ao setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco e ao projeto “Resgatando a autonomia da pessoa idosa” que nele era executado. Tangenciei uma tentativa tímida de relato no menu Quem Somos, mas, sem anunciar as mudanças nessa página estática num post normal, sabia que a mensagem não chegaria. E eu mesma não queria que chegasse. Coisas das forças da resistência, ao bom e velho estilo freudiano.

Sempre que minha alma geminiana sedenta por comunicação sentava-se à frente de alguma das nossas novas máquinas de escrever, meus dedos nervosos se entrevavam diante da lembrança da fala de um líder imediato no ato de seu despacho em maio, dentre outras coisas sugerindo a mim cuidado com o que escrever nas redes sociais, pois o “Universo da Reabilitação é muito pequeno”. À parte o tom ameaçador da figura de autoridade que me remetia sem escalas à imagem da censura prévia (hoje apelidada carinhosa e eufemisticamente  de “controle social da mídia”), ainda nos restava lidar com os desafios de encaminhar dignamente os idosos do setor para outros equipamentos da rede de saúde e começar a batalha quixotesca por manter pelo menos parte do projeto em funcionamento em outro lugar. Sobre a verba remanescente de menos de meio ano de apoio financeiro do Talentos da Maturidade, que viabilizaria esse nosso segundo desafio, nada sei a respeito, passados quatro meses de sua última utilização.

O fato é que o setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco não mais existe e arrastou consigo para a cova rasa o projeto premiado. Foi literalmente extinto e a equipe, dispensada em sua totalidade. Morto ainda adolescente, aos seus aproximados 16 anos. Não sobreviveu à incorporação por um gigante da Reabilitação. Aquela instituição de quase 70 anos que não temia, ao contrário, fomentava a inovação, sucumbiu já idosa e abriu espaço para uma nova lógica, menos congruente com as transformações demográficas e epidemiológicas que vivemos na atualidade.

E o que fazer com todo esse abalo às nossas emoções e ao senso lógico e acadêmico sempre presente em nosso grupo de profissionais? A palavra fechar, a mesma usada para extinguir de fato, deve ser internalizada em nossos corações  e nossa alma que sofrem por saber que hoje há um equipamento inovador a menos para a população idosa. Somente no ato subjetivo de fechar é que poderemos nos sentir abertos ao novo, aos novos rumos e caminhos. Se no passado nada distante os caminhos escolhidos nos levaram ao êxito, com a ampliação de nossas capacidades e habilidades em lidar com a saúde integral da pessoa idosa no SUS, o futuro não poderá ser diferente. Ao contrário, se estivermos alinhados a gestões de saúde de fato inovadoras, o objetivo subjacente à nossa tão sonhada premiação no concurso será finalmente alcançado: a multiplicação da ideia e do fazer gerontológicos.

E o que a coluna Espaço Aberto (pág. A2) do Estado de São Paulo tem a ver com tudo isso? Não fossem as lágrimas que se deixaram escorrer livremente pela leitura do texto do Prof. Dr. Eugênio Bucci de hoje (01/11/12), eu talvez continuasse a negar que os ciclos se fecham sem que consigamos manter controle sobre ameaças totalmente externas. O artigo dá conta de dois significados para o mesmo significante: o de fechamento de redação – ato típico do jornalista – e de fechamento empresarial – aquele que representa o morticínio do trabalho por vezes de décadas de uma equipe. O que ocorreu comigo enquanto lia a opinião publicada hoje sobre o fechamento do Jornal da Tarde (ironicamente também sofro por isso, pois era, até ontem, assinante desse jornal!) foi outro fenômeno psicanalítico: a identificação. Me enxerguei com a nitidez de um espelho de cristal. Senti cada palavra e praticamente pude ouvir os aplausos do sexto andar do prédio do Estadão. Passamos por isso. Vivemos isso. Também sabemos o que é isso. E agradeço pelo mais incrível texto que jamais imaginei que leria. Guardarei com carinho tanto a última edição do JT e a primeira do Estadão que chegou a mim.

Que o professor me permita divulgar na íntegra aqui seu texto publicado e me desculpe por fazer com ele um exercício criativo proposto por uma psique pululante: ao ler o artigo, sintam o efeito que ocorre ao substituir mentalmente os termos “jornalista” por “profissional de saúde”; “fechamento do jornal”, quando dito da forma positiva, como “fechamento terapêutico”; e “JT” por “Setor de Reabilitação Gerontológica”.  Minha análise lacaniana terá muito conteúdo para hoje…

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Os dois fechamentos do ‘Jornal da Tarde’

por Eugênio Bucci

Para quem ainda não admite que o sentido das palavras muda conforme a classe social do cidadão que a pronuncia, aí vai mais uma: o verbo fechar, ou, se você preferir, o substantivo fechamento.

Se um jornalista diz que vai fechar o jornal, nada de novo sob o Sol. Após o fechamento (feito pelo jornalista), o diário vai para as rotativas e, depois de impresso, dobrado, refilado e encadernado, cairá, exemplar por exemplar, naqueles saquinhos plásticos alongados, dentro dos quais voarão por cima dos muros das casas dos assinantes, com notícias supostamente frescas. Quando o jornalista fecha, estamos em vida normal. E boa. Antigamente o fechamento era até comemorado, noite após noite. No tempo em que se fumava em cima da máquina de escrever, o pessoal fechava a edição e depois esticava a conversa em torno de um chope.

Hoje, como antes, fechamentos fazem subir o estresse e têm aquele tom ameaçador da “vitória do caos sobre a vontade augusta de ordenar a criatura”, mas, invariavelmente, terminam mais ou menos bem. Não se tem registro de um fechamento que não tenha, por assim dizer, fechado. O que faz a diferença, o que distingue um bom editor, é saber fechar bem. Saber fechar está para o profissional de imprensa assim como saber “finalizar” – no jargão do futebolismo pós-moderno – está para o artilheiro. Embora a qualidade editorial resida não no fim, mas no início do processo, com pautas bem concebidas e bem planejadas, os jornalistas vangloriam-se de ser grandes fechadores, mesmo quando não o são. O verbo fechar, enfim, é constitutivo da profissão, como um verbo positivo.

Agora, se a gente se afasta da redação e se aproxima dos escritórios da chamada gestão empresarial, a pior coisa que pode existir é um patrão que gosta de fechar. Quando o dono anuncia que vai fechar um jornal, até as rotativas empalidecem. O sentido do verbo se inverte, mortalmente. Jornalista, quando fecha, faz o jornal viver, mas o empresário, ao fechar, mata.

Infelizmente, é desse fechamento (fechamento no sentido empresarial) que se tem falado cada vez mais. Nos países que eram chamados de “ricos” até há dois ou três anos, alastra-se uma crise drástica: veículos impressos caem como frutos cujo tempo já foi, num morticínio sem recurso. Nos Estados Unidos, a partir da quebradeira de 2008, a devastação afetou principalmente os diários locais (que viviam dos classificados do mercado imobiliário, nada menos que o cerne do desastre financeiro daquele ano), numa derrocada que foi imediata e minuciosamente descrita no relatório The Reconstruction of American Journalism (um nome otimista para um cenário tétrico), escrito pelos professores Michael Schudson e Leonard Downie Jr. e editado pela Escola de Jornalismo de Columbia em 2009 (disponível na internet). Desde então o quadro só piorou. Recentemente a revista Newsweek avisou que depois de dezembro de 2012 suas edições impressas serão extintas. Quanto à Time, não anda passando muito bem, mais fina que um folheto de missa dominical.

No Brasil, onde os números parecem saudáveis e a circulação dos diários cresce, os sinais do estrangulamento vão pipocando. Ontem pudemos sentir mais um desses, com o fechamento do Jornal da Tarde. A última edição do JT circulou exatamente ontem, dia 31 de outubro de 2012. “No mundo todo, a competição das novas mídias digitais têm afetado os seus jornais”, explicou o texto Missão cumprida, publicado na página 6A da edição de ontem. “Nesse contexto, o JT teve sua circulação reduzida, assim como seu número de anúncios. O Grupo Estado tentou diversas medidas para revitalizar o JT, mas decidiu focar sua estratégia para o futuro no seu principal título, O Estado de S. Paulo.”

Aqui, a palavra fechamento vira sinônimo de falecimento. O JT está morto. Morreu aos 46 anos de idade. Os jornalistas de São Paulo estão de luto, como de luto estão os leitores, ainda que poucos. Um jornal que se fecha é uma voz que se cala, ou, mais ainda, como uma língua que desaparece, seja porque os falantes minguaram, seja por força das guerras, que dizimam a memória e a identidade dos povos conquistados. Bons jornais são uma cultura à parte, têm um léxico próprio, um “idioma” inconfundível.

Bem sabemos que jornais e revistas abrem e fecham (no sentido empresarial) o tempo todo; nascimentos e mortes são normais, corriqueiros, tanto para os seres humanos como para os órgãos de imprensa, embora nestes a mortalidade infantil seja bem mais alta (dos novos veículos são lançados nas bancas todos os meses, a maioria não sobrevive aos dois ou três primeiros anos). Mas o falecimento do JT não cabe na categoria das trivialidades. Trata-se de um passamento de outra ordem. Nas suas páginas se deu uma renovação jornalística que irrigou todo o ambiente da imprensa, em texto, no design e no uso da fotografia (no JT, uma única foto, imensa, sem que fossem necessárias palavras, era capaz de sintetizar sozinha a notícia e seu sentido). A sua redação ficará como um ponto de luz na história da imprensa paulistana, apesar das sombras que o levaram a desaparecer melancolicamente. Estamos realmente de luto.

No fim da tarde de terça-feira, por volta das 18 horas, um longo aplauso (longo mesmo, longo de três minutos) ecoou no sexto andar do prédio do Estadão, na Marginal do Tietê. Eram os jornalistas de todas as redações do grupo aplaudindo o último fechamento (no sentido jornalístico) do jornal que seria fechado (no sentido empresarial) no dia seguinte. Eram palmas de um funeral. Nos próximos dias os cronistas se ocuparão de lembrar os talentos que por ali criaram peças memoráveis e os episódios folclóricos do JT. Agora, fiquemos apenas com isto aqui, que não é nem um obituário; talvez seja apenas um lamento metalinguístico, um réquiem sem nomes próprios. O nosso mundo está menor e eu penso nisso enquanto fecho mais este artigo.

* JORNALISTA,  É PROFESSOR DA ECA-USP E DA ESPM

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Última reunião de equipe (jun/2012), com o clima festivo a que o texto do Estadão me remeteu.

Momentos finais do setor. Esvaziamento das salas em 03/07/2012.

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O trabalho Página A2 do Estado de São Paulo e o Setor de Reabilitação Gerontológica hoje: reflexões com pitadas psicanalíticas de Renata Cereda Cordeiro foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.
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