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Campanha de Prevenção de Quedas em Idosos 2011 – evento gratuito – engaje-se!

Logo oficial da campanha

Logotipo empregado na campanha desde 2009, símbolo da mobilização regional contra as quedas em idosos.

Desde 2009 o setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco está engajado na anual Campanha de Prevenção de Quedas. Neste ano, teremos novamente a presença da Fundación Mapfre apoiando e patrocinando esse evento, com novidades na programação replicada em horários diferentes em 2 dias:

20/6 – Segunda -feira (tarde)
13h00 às 14h30 – Campanha de Segurança Viária para Idosos
14h30 às 15h00 – Coffee
15h00 às 16h30 – Com Maior Cuidado

21/6 – Terça-feira (manhã)
09h00 às 10h30 – Campanha de Segurança Viária para Idosos
10h30 às 11h00 – Coffee
11h00 às 12h30 – Com Maior Cuidado

LOCAL: hall da capela – Lar Escola São Francisco – centro de Reabilitação (clique para ver o MAPA)

PÚBLICO-ALVO:

  • pessoas idosas (60 anos ou mais) com ou sem acompanhantes, pacientes ou não do LarEscola;
  • cuidadores de pessoas idosas (familiares ou profissionais);
  • profissionais do LarEscola, especialmente aqueles que têm contato com pessoas idosas
  • alunos de graduação, residentes e especializandos da Unifesp e demais parceiros acadêmicos

INSCRIÇÕES: serão feitas no local, por ordem de chegada. As inscrições são limitadas à capacidade do local, 50 pessoas por palestra. Começaremos a recepcionar os participantes 1h antes do início do evento para inscrições em ambos os dias. EVENTO ABERTO AO PÚBLICO, GRATUITO.

Serão distribuídos brindes, materiais educativos para leigos e para profissionais acerca dos dois temas que serão desenvolvidos nos dois dias. 

Contamos com a participação de todos e com a colaboração em indicar pessoas idosas da comunidade.

Maiores informações: (11) 5904-8041 / (11) 5904-8062 – falar com Inês ou Renata

Veja algumas fotos do grande evento de 2009: 

Inscrições do evento:

 http://www.flickr.com/photos/lesf1/3974495048/

“Circuito” de exames e entrevistas:

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3973732665/

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3973732661/

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3974495062/

Palestra:

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3974495074/

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3973732651/

Dança senior:

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3973732687/

Equipe reunida:

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3974501644/

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Calçados e risco de quedas em idosos, especialmente os diabéticos. Quais as soluções?

As quedas são um grave problema de Saúde Pública especialmente dentre idosos em virtude das suas consequências.

Dados do Ministério da Saúde vem  apontando que as quedas tem sido as principais causas de internação hospitalar dentre todas as demais causas externas (acidentes, violência, intoxicações, etc) desde 2008, independentemente da idade, tendo sido ainda mais prevalentes nas faixas etárias mais avançadas: somente em 2010 foram realizadas 102.809 internações hospitalares no Estado de São Paulo. Dessas, 26.572 foram de pessoas com 60 anos e mais (1). Além disso, somente em 2010 foram gastos R$ 28.152.274,15 com serviços hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de idosos internados em razão de ter sofrido uma queda. E esses gastos aumentam com a idade: enquanto são gastos R$ 8.152.274, 28 nas internações de pessoas com idades entre 60 e 69 anos, para aqueles com mais de 80 anos os gastos foram  de R$ 10.527.830,87.  Além da hospitalização, as quedas e suas consequências no envelhecimento constituem-se importantes causas de admissão em instituições de longa permanência (ILP) e morte dentre os idosos (1).

Dados epidemiológicos locais (região metropolitana de São Paulo) apontam que pelo menos uma queda no ano ocorre em aproximadamente 30% dos idosos da comunidade, enquanto que a recorrência desse fenômeno ocorre em aproximadamente 10% desses (2). Dentre os idosos residentes em instituições de longa permanência essa incidência aumenta para algo em torno da metade dos pacientes. Dentre os idosos diabéticos que são atendidos ambulatorialmente, 41% relataram ter sofrido ao menos uma queda; desses, 15,4% relataram ter sofrido duas ou mais quedas no período de um ano (3).

As quedas são decorrentes geralmente da conjunção de diversos fatores determinantes. Para simplificar, podemos dividir esses fatores em intrínsecos (ligados a características da própria pessoa) e extrínsecos (ligados a fatores relacionados ao comportamento da pessoa frente a situações de risco iminente e ao ambiente externo).

O risco para quedas pode estar relacionado a fatores individuais (intrínsecos) ou ambientais (extrínsicos)

Dentre os fatores intrínsecos, o equilíbrio e a mobilidade são seus principais representantes na população idosa. O diabetes mellitus isoladamente não é um fator que prejudica o equilíbrio dentre idosos, exceto quando acompanhado das complicações de longo prazo, de caráter crônico, que afetam as funções vasculares e nervosas primordialmente. Recente estudo nacional demonstrou que os idosos diabéticos atendidos em ambulatório têm maiores chances de perder o equilíbrio e a mobilidade conforme avança a idade, quando há prejuízo na sensibilidade proprioceptiva dos pés, quando já existem limitações para realizar suas atividades cotidianas, quando a integração dos diversos sentidos está prejudicada, quando há dificuldade em reagir a rápidos e abruptos estímulos desestabilizadores e quando há queda na pressão arterial ao ficar de pé a partir da posição deitada (3).

Com relação aos fatores extrínsecos, destacaremos o papel dos calçados. Se inadequados, eles podem aumentar as chances de escorregamentos, tropeços, tanto em ambiente interno como externo, a depender da alteração da sensibilidade dos pés por eles conferida – já suficientemente alterada pelo próprio diabetes – e das condições de atrito do solado no piso. O funcionamento natural dos pés é prejudicado pela escolha que as pessoas fazem pelos seus calçados, muito mais ligada a modismos do que ao conforto, estabilidade e proteção que eles deveriam representar (4).

Em regiões de clima quente é comum os idosos preferirem chinelos, andar descalços ou apenas de meias dentro de casa. A escolha pelos chinelos é comum também dentre idosos de ILP e hospitalizados, muitas vezes determinada pelo fato de serem flexíveis e capazes de acomodar facilmente as eventuais deformidades de um pé doloroso, além da óbvia facilidade em calçá-los. Em reabilitação detectou-se que 90% dos idosos escolhia calçados muito compridos ou demasiadamente largos em relação ao tamanho real de seus pés. Também existem pesquisas que demonstram um amplo uso de calçados mais estreitos do que seus pés, gerando calosidades, dor e feridas (4). Em resumo, a grande maioria dos idosos, seja na comunidade ou internados, tem dificuldade em determinar o melhor tipo de calçado que sirva em seus pés em virtude do desconhecimento quanto à sua importância para a segurança e/ou impedimentos de ordem financeira e a necessidade de acomodar as múltiplas deformidades ou a dor que os impede de se locomover com facilidade tanto em ambiente interno como externo.

Apesar de ser classificado como um fator de risco extrínseco para quedas, o tipo de calçado escolhido pode comprometer o equilíbrio das pessoas idosas, uma vez tornando instável a base de sustentação do corpo. As características dos calçados mais inseguros são: saltos acima de 2,5cm (4, 5), solados escorregadios, chinelos, meias, pouca fixação do calçado ao pé e na altura dos calcanhares e solado excessivamente macio. Muitas dessas características dos calçados são coerentes com as quedas em ambientes internos, como o residencial e ILP, onde o uso de chinelos, meias para andar curtas distâncias ou mesmo a ausência de calçados são mais frequentes. Como a sensibilidade dos pés dos idosos diabéticos está frequentemente diminuída, seria lógico pensarmos que não usar calçados contribuiria com a estabilidade na medida em que forneceria à pessoa toda a informação sensorial sobre a superfície de contato. Contudo, como é comum as pessoas serem condicionadas a usar sapatos desde a infância, esse não seria o caso (4).

Da mesma forma que o calçado pode prejudicar o equilíbrio, também pode conferir aumento de estabilidade quando o solado é mais rijo e quando o cano é mais longo, aumentando o contato do material com o tornozelo (figuras 1, 2 e 3). Esse último mecanismo seria responsável por facilitar as informações sensoriais a partir da altura do tornozelo e prover sustentação mecânica na altura dessa articulação, representando estabilidade (5).

Figura 1 – Formato de calçado padrão para prevenir quedas dentre idosos, preferencialmente com solado rijo e fino (5)

Figura 2 – Calçado com cano alto para aumentar a sensibilidade na altura dos tornozelos, especialmente quando se tratar de idoso diabético (5)

Figura 3 – Salto chanfrado para evitar escorregamentos durante a caminhada (5)

Qual seria, então, o calçado ideal para idosos que já caíram ou apresentam risco de quedas? Apesar do volume de pesquisas sobre calçados e quedas, não há ainda uma resposta definitiva. No entanto, pode-se sugerir que as pessoas idosas devem usar calçados com numeração adequada ao tamanho de seus pés tanto dentro de casa como fora, com salto baixo, solados finos e rijos para aumentar a sensação de estabilidade, salto chanfrado para diminuir as chances de escorregamento em superfícies lisas ou molhadas (4).

As pessoas com maiores prejuízos na mobilidade, como é o caso de residentes em ILP, apresentam menores trocas de calçados e menores oportunidades de caminhar na rua. Conforme o nível de mobilidade do idoso recomenda-se o fechamento do calçado por meio de velcros e não cadarços, fator de que desestimula o uso de sapatos nessa população. Além disso, podem acomodar melhor eventuais alterações como deformidades na parte superior do pé e inchaços ao longo do dia.

Referências

1.            Ministério_da_Saúde. Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). 2009.

2.            Perracini MR, Ramos LR. [Fall-related factors in a cohort of elderly community residents]. Rev Saude Publica. 2002 Dec;36(6):709-16.

3.            Cordeiro RC, Jardim JR, Perracini MR, Ramos LR. Factors associated with functional balance and mobility among elderly diabetic outpatients. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2009 Oct;53(7):834-43.

4.            Menant JC, Steele JR, Menz HB, Munro BJ, Lord SR. Optimizing footwear for older people at risk of falls. J Rehabil Res Dev. 2008;45(8):1167-81.

5.            Menant JC, Steele JR, Menz HB, Munro BJ, Lord SR. Effects of footwear features on balance and stepping in older people. Gerontology. 2008;54(1):18-23.

 Licença Creative Commons
Calçados e risco de quedas em idosos, especialmente os diabéticos. Quais as soluções? de Renata Cereda Cordeiro é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.
Baseado no trabalho em https://reabgeronto.wordpress.com/2011/03/16/calcados-e-risco-de-quedas-em-idosos-especialmente-os-diabeticos-quais-as-solucoes/.
Perssões além do escopo dessa licença podem estar disponível em https://reabgeronto.wordpress.com/fale/.

Resenha de livro: Masdeu JC, Sudarsky L, Wolfson L. Gait disorders of aging: falls and therapeutic strategies. Philadelphia: Lippincott-Raven, 1997.

O livro intitulado “Gait disorders of aging: falls and therapeutic strategies” (Distúrbios de marcha do envelhecimento: quedas e estratégias terapêuticas), editado em 1997,  pode ser considerado um clássico geriátrico-gerontológico para profissionais de reabilitação.

Capa do livro “Gait disorders of aging: falls and therapeutic strategies”. 443 páginas. ISBN-10: 0316549150 ISBN-13: 978-0316549158

 

 

São 27 colaboradores de peso na literatura internacional. Apenas para citar alguns, além dos editores, estão presentes na obra contribuições de James O. Judge, Michael C. Nevitt, Laurence Z. Rubenstein, Margaret Schenkman, Anne Shumway-Cook e Marjorie Woollacott.

Sabemos que o conhecimento se torna obsoleto em pouco tempo. Leva-se uma média de 3 anos para se elaborar um livro, da concepção dos editores até a editoração final. Pois bem, pensando assim, todo livro já “nasce” desatualizado! Imagine então um livro que chegou às prateleiras em 1997! Contrariamente a essa ideia, preciso informar aos leitores do blog que esse não é bem o caso deste livro.

Temos 24 capítulos extensos, contendo revisões sofisticadas e bem conduzidas (uma das quais, sistemática), organizadas, sinteticamente, da seguinte maneira:

  1. Epidemiologia das quedas: contexto, fatores de risco, prevenção
  2. Fisiologia do equilíbrio e da locomoção, com ênfase no envelhecimento normal: em 4 capítulos o leitor conseguirá distinguir os efeitos das doenças e da idade sobre esses 2 fenômenos de interesse, equilíbrio e marcha.
  3. Metodologia de avaliação do equilíbrio para a clínica e para a pesquisa
  4. Classificação dos distúrbios de marcha para fins diagnósticos
  5. Abordagens clínicas, intervenções multifatoriais para reduzir o risco de quedas, treino de equilíbrio, treino resistido, intervenções ambientais
  6. Diversos capítulos sobre condições específicas relacionadas às quedas, equilíbrio e marcha. Por exemplo, hidrocefalia, desordens vestibulares, medo de quedas, marcha cautelosa, parkinsonismos, neuropatias, problemas com os pés, dentre outras.

Os dois apêndices também são generosos: Margaret Sckenkman nos presenteia com uma série de exercícios que podem ser indicados para o domicílio, com ilustrações e descrições detalhadas sobre o estágio do programa de reabilitação e a meta de cada um. Já Rein Tideiksaar – também autor de um livro sobre o tema que merecerá posterior resenha – apresenta um instrumento semelhante ao POMA (Performance-Oriented Mobility Assessment de M. Tinetti), mas com ênfase na relação entre a atividade motora e o ambiente, denominado Performance-Oriented Environmental Mobility Screen, cuja tradução não foi ainda validada no Brasil. Fica aí uma sugestão…

Este livro pode ser considerado uma primeira leitura sistemática dos principais temas ligados ao problema das quedas que, como sabemos, atinge em torno de 30% da população brasileira idosa. Nele estão contidas as informações que qualquer profissional que trabalha com Reabilitação de idosos deve saber para desenvolver com eficácia programas preventivos e tratamentos focados no equilíbrio e marcha. Digo que pode ser uma primeira leitura porque é necessária a atualização desses conteúdos que já têm quase 15 anos.

Não somente será útil ao clínico – geriatras, neurologistas, ortopedistas, fisiatras, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, podólogos – mas ao pesquisador iniciante. Os capítulos reúnem boa didática e ao mesmo tempo aprofundamentos teóricos. Isso tudo faz com que esse livro seja um sucesso até hoje.

Ele pode ser comprado novo na Amazon, que disponibiliza links para usados. Seu preço lá é de US$12o, mas pode ser encontrado mais barato em outras livrarias. A variedade de preços é tão chocante, que podemos encontrar um exemplar novo por US$305.81 no site de livrarias Alibris.com! Não tem jeito: tanto na Alibris como na Amazon, o preço mais em conta é o do usado, a US$69. Na Biblio.com, site que recomendo fortemente, é possível encontrar um exemplar por US$64, mas não posso afirmar se entregam para o Brasil. Cada livraria tem suas políticas de envio. Clicando sobre os nomes das livrarias acima é possível ver a página com a busca por esse livro especificamente.

Outras resenhas críticas sobre esse livro já foram publicadas (clique sobre os autores): Jacquelin Perry (1998)Nicki Colledge (1998).

Boa leitura!