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Instituto de Saúde lança livro sobre políticas do envelhecimento ativo em 26/04/13

Instituto de Saúde (IS) lançará o livro “Velhices: experiências e desafios nas políticas do envelhecimento ativo” no dia 26 de abril, às 14h30, no Auditório Walter Leser, localizado na Rua Santo Antônio, 590, Bela Vista, São Paulo, SP. O livro reúne 32 capítulos de autoria de pesquisadores do IS, de outros institutos de pesquisa e profissionais de entidades que trabalham com idosos. Os textos relatam experiências de implantação de políticas públicas voltadas para o envelhecimento ativo em entidades, bairros e cidades. A publicação é o 14º volume da série “Temas em Saúde Coletiva”.

Antes do lançamento será realizado um coffee para a recepção dos convidados. Na abertura do evento haverá a apresentação do livro pela diretora do Instituto de Saúde, Luiza Sterman Heimann, e pelas organizadoras da publicação, Tereza Etsuko da Costa Rosa, Marília Louvison e Áurea Eleutério Soares. Em seguida, o Prof. Dr. Luiz Ramos, da Unifesp, comentará suas experiências para o desenvolvimento de iniciativas amigas do idoso no Bairro da Vila Clementino, na capital paulista. O lançamento também contará com a presença de Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade (CIL), falando sobre a importância das experiências globais e locais para a efetividade do marco político do Envelhecimento Ativo.

Um capítulo sobre o setor de Reabilitação Gerontológica do extinto centro de reabilitação Lar Escola São Francisco (agora uma unidade da AACD), fará parte da obra (clique aqui para saber mais sobre essa história). No decorrer da elaboração do capítulo, recebemos a notícia do fechamento do setor, evento devastador para a equipe e seus beneficiários, todos do SUS. Entretanto, as organizadoras da obra compreenderam que o equipamento pioneiro teve relevância local e estadual e contribuiu com a formação da rede de suporte formal à saúde de tantas pessoas idosas. Deixar um registro histórico seria, sob seu ponto de vista, importante para o campo da Reabilitação Gerontológica, cujas especificidades ainda são mal compreendidas pelos profissionais e gestores tanto em reabilitação como em Geriatria/Gerontologia. Fico realmente feliz em ter colaborado com a obra, sempre na esperança de um dia podermos reproduzir e multiplicar essa modalidade de atenção. 

O livro será distribuído em diversas bibliotecas, centros e institutos de pesquisa e universidades. As pessoas que estiverem presentes no evento de lançamento também receberão um exemplar. A partir deste dia o Instituto de Saúde também disponibilizará a publicação em seu site.

folder livro IS

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Página A2 do Estado de São Paulo e o Setor de Reabilitação Gerontológica hoje: reflexões com pitadas psicanalíticas

Desde o início de julho deste ano tenho esperado pela sensação de urgência necessária ao propósito de relatar o que ocorreu nessa época ao setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco e ao projeto “Resgatando a autonomia da pessoa idosa” que nele era executado. Tangenciei uma tentativa tímida de relato no menu Quem Somos, mas, sem anunciar as mudanças nessa página estática num post normal, sabia que a mensagem não chegaria. E eu mesma não queria que chegasse. Coisas das forças da resistência, ao bom e velho estilo freudiano.

Sempre que minha alma geminiana sedenta por comunicação sentava-se à frente de alguma das nossas novas máquinas de escrever, meus dedos nervosos se entrevavam diante da lembrança da fala de um líder imediato no ato de seu despacho em maio, dentre outras coisas sugerindo a mim cuidado com o que escrever nas redes sociais, pois o “Universo da Reabilitação é muito pequeno”. À parte o tom ameaçador da figura de autoridade que me remetia sem escalas à imagem da censura prévia (hoje apelidada carinhosa e eufemisticamente  de “controle social da mídia”), ainda nos restava lidar com os desafios de encaminhar dignamente os idosos do setor para outros equipamentos da rede de saúde e começar a batalha quixotesca por manter pelo menos parte do projeto em funcionamento em outro lugar. Sobre a verba remanescente de menos de meio ano de apoio financeiro do Talentos da Maturidade, que viabilizaria esse nosso segundo desafio, nada sei a respeito, passados quatro meses de sua última utilização.

O fato é que o setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco não mais existe e arrastou consigo para a cova rasa o projeto premiado. Foi literalmente extinto e a equipe, dispensada em sua totalidade. Morto ainda adolescente, aos seus aproximados 16 anos. Não sobreviveu à incorporação por um gigante da Reabilitação. Aquela instituição de quase 70 anos que não temia, ao contrário, fomentava a inovação, sucumbiu já idosa e abriu espaço para uma nova lógica, menos congruente com as transformações demográficas e epidemiológicas que vivemos na atualidade.

E o que fazer com todo esse abalo às nossas emoções e ao senso lógico e acadêmico sempre presente em nosso grupo de profissionais? A palavra fechar, a mesma usada para extinguir de fato, deve ser internalizada em nossos corações  e nossa alma que sofrem por saber que hoje há um equipamento inovador a menos para a população idosa. Somente no ato subjetivo de fechar é que poderemos nos sentir abertos ao novo, aos novos rumos e caminhos. Se no passado nada distante os caminhos escolhidos nos levaram ao êxito, com a ampliação de nossas capacidades e habilidades em lidar com a saúde integral da pessoa idosa no SUS, o futuro não poderá ser diferente. Ao contrário, se estivermos alinhados a gestões de saúde de fato inovadoras, o objetivo subjacente à nossa tão sonhada premiação no concurso será finalmente alcançado: a multiplicação da ideia e do fazer gerontológicos.

E o que a coluna Espaço Aberto (pág. A2) do Estado de São Paulo tem a ver com tudo isso? Não fossem as lágrimas que se deixaram escorrer livremente pela leitura do texto do Prof. Dr. Eugênio Bucci de hoje (01/11/12), eu talvez continuasse a negar que os ciclos se fecham sem que consigamos manter controle sobre ameaças totalmente externas. O artigo dá conta de dois significados para o mesmo significante: o de fechamento de redação – ato típico do jornalista – e de fechamento empresarial – aquele que representa o morticínio do trabalho por vezes de décadas de uma equipe. O que ocorreu comigo enquanto lia a opinião publicada hoje sobre o fechamento do Jornal da Tarde (ironicamente também sofro por isso, pois era, até ontem, assinante desse jornal!) foi outro fenômeno psicanalítico: a identificação. Me enxerguei com a nitidez de um espelho de cristal. Senti cada palavra e praticamente pude ouvir os aplausos do sexto andar do prédio do Estadão. Passamos por isso. Vivemos isso. Também sabemos o que é isso. E agradeço pelo mais incrível texto que jamais imaginei que leria. Guardarei com carinho tanto a última edição do JT e a primeira do Estadão que chegou a mim.

Que o professor me permita divulgar na íntegra aqui seu texto publicado e me desculpe por fazer com ele um exercício criativo proposto por uma psique pululante: ao ler o artigo, sintam o efeito que ocorre ao substituir mentalmente os termos “jornalista” por “profissional de saúde”; “fechamento do jornal”, quando dito da forma positiva, como “fechamento terapêutico”; e “JT” por “Setor de Reabilitação Gerontológica”.  Minha análise lacaniana terá muito conteúdo para hoje…

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Os dois fechamentos do ‘Jornal da Tarde’

por Eugênio Bucci

Para quem ainda não admite que o sentido das palavras muda conforme a classe social do cidadão que a pronuncia, aí vai mais uma: o verbo fechar, ou, se você preferir, o substantivo fechamento.

Se um jornalista diz que vai fechar o jornal, nada de novo sob o Sol. Após o fechamento (feito pelo jornalista), o diário vai para as rotativas e, depois de impresso, dobrado, refilado e encadernado, cairá, exemplar por exemplar, naqueles saquinhos plásticos alongados, dentro dos quais voarão por cima dos muros das casas dos assinantes, com notícias supostamente frescas. Quando o jornalista fecha, estamos em vida normal. E boa. Antigamente o fechamento era até comemorado, noite após noite. No tempo em que se fumava em cima da máquina de escrever, o pessoal fechava a edição e depois esticava a conversa em torno de um chope.

Hoje, como antes, fechamentos fazem subir o estresse e têm aquele tom ameaçador da “vitória do caos sobre a vontade augusta de ordenar a criatura”, mas, invariavelmente, terminam mais ou menos bem. Não se tem registro de um fechamento que não tenha, por assim dizer, fechado. O que faz a diferença, o que distingue um bom editor, é saber fechar bem. Saber fechar está para o profissional de imprensa assim como saber “finalizar” – no jargão do futebolismo pós-moderno – está para o artilheiro. Embora a qualidade editorial resida não no fim, mas no início do processo, com pautas bem concebidas e bem planejadas, os jornalistas vangloriam-se de ser grandes fechadores, mesmo quando não o são. O verbo fechar, enfim, é constitutivo da profissão, como um verbo positivo.

Agora, se a gente se afasta da redação e se aproxima dos escritórios da chamada gestão empresarial, a pior coisa que pode existir é um patrão que gosta de fechar. Quando o dono anuncia que vai fechar um jornal, até as rotativas empalidecem. O sentido do verbo se inverte, mortalmente. Jornalista, quando fecha, faz o jornal viver, mas o empresário, ao fechar, mata.

Infelizmente, é desse fechamento (fechamento no sentido empresarial) que se tem falado cada vez mais. Nos países que eram chamados de “ricos” até há dois ou três anos, alastra-se uma crise drástica: veículos impressos caem como frutos cujo tempo já foi, num morticínio sem recurso. Nos Estados Unidos, a partir da quebradeira de 2008, a devastação afetou principalmente os diários locais (que viviam dos classificados do mercado imobiliário, nada menos que o cerne do desastre financeiro daquele ano), numa derrocada que foi imediata e minuciosamente descrita no relatório The Reconstruction of American Journalism (um nome otimista para um cenário tétrico), escrito pelos professores Michael Schudson e Leonard Downie Jr. e editado pela Escola de Jornalismo de Columbia em 2009 (disponível na internet). Desde então o quadro só piorou. Recentemente a revista Newsweek avisou que depois de dezembro de 2012 suas edições impressas serão extintas. Quanto à Time, não anda passando muito bem, mais fina que um folheto de missa dominical.

No Brasil, onde os números parecem saudáveis e a circulação dos diários cresce, os sinais do estrangulamento vão pipocando. Ontem pudemos sentir mais um desses, com o fechamento do Jornal da Tarde. A última edição do JT circulou exatamente ontem, dia 31 de outubro de 2012. “No mundo todo, a competição das novas mídias digitais têm afetado os seus jornais”, explicou o texto Missão cumprida, publicado na página 6A da edição de ontem. “Nesse contexto, o JT teve sua circulação reduzida, assim como seu número de anúncios. O Grupo Estado tentou diversas medidas para revitalizar o JT, mas decidiu focar sua estratégia para o futuro no seu principal título, O Estado de S. Paulo.”

Aqui, a palavra fechamento vira sinônimo de falecimento. O JT está morto. Morreu aos 46 anos de idade. Os jornalistas de São Paulo estão de luto, como de luto estão os leitores, ainda que poucos. Um jornal que se fecha é uma voz que se cala, ou, mais ainda, como uma língua que desaparece, seja porque os falantes minguaram, seja por força das guerras, que dizimam a memória e a identidade dos povos conquistados. Bons jornais são uma cultura à parte, têm um léxico próprio, um “idioma” inconfundível.

Bem sabemos que jornais e revistas abrem e fecham (no sentido empresarial) o tempo todo; nascimentos e mortes são normais, corriqueiros, tanto para os seres humanos como para os órgãos de imprensa, embora nestes a mortalidade infantil seja bem mais alta (dos novos veículos são lançados nas bancas todos os meses, a maioria não sobrevive aos dois ou três primeiros anos). Mas o falecimento do JT não cabe na categoria das trivialidades. Trata-se de um passamento de outra ordem. Nas suas páginas se deu uma renovação jornalística que irrigou todo o ambiente da imprensa, em texto, no design e no uso da fotografia (no JT, uma única foto, imensa, sem que fossem necessárias palavras, era capaz de sintetizar sozinha a notícia e seu sentido). A sua redação ficará como um ponto de luz na história da imprensa paulistana, apesar das sombras que o levaram a desaparecer melancolicamente. Estamos realmente de luto.

No fim da tarde de terça-feira, por volta das 18 horas, um longo aplauso (longo mesmo, longo de três minutos) ecoou no sexto andar do prédio do Estadão, na Marginal do Tietê. Eram os jornalistas de todas as redações do grupo aplaudindo o último fechamento (no sentido jornalístico) do jornal que seria fechado (no sentido empresarial) no dia seguinte. Eram palmas de um funeral. Nos próximos dias os cronistas se ocuparão de lembrar os talentos que por ali criaram peças memoráveis e os episódios folclóricos do JT. Agora, fiquemos apenas com isto aqui, que não é nem um obituário; talvez seja apenas um lamento metalinguístico, um réquiem sem nomes próprios. O nosso mundo está menor e eu penso nisso enquanto fecho mais este artigo.

* JORNALISTA,  É PROFESSOR DA ECA-USP E DA ESPM

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Última reunião de equipe (jun/2012), com o clima festivo a que o texto do Estadão me remeteu.

Momentos finais do setor. Esvaziamento das salas em 03/07/2012.

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Audiência pública para debater Projeto de Lei que institui o Programa Social “Centro Dia do Idoso”

logotipo da AFAIHá vários anos o setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco apóia, incentiva o fortalecimento e encaminha idosos fragilizados à Associação dos Familiares e Amigos do Idoso (AFAI) que coordena um centro-dia para idosos com demências ou mobilidade reduzida cujos cuidadores têm dificuldade de supervisioná-los em casa durante o período diurno. Aliás, a AFAI também venceu o concurso Talentos da Maturidade do Banco Santander em 2010, a exemplo de nosso setor (relembre aqui o post sobre o assunto). Trata-se de um equipamento inovador em pelo menos dois aspectos fundamentais: a gestão nascida do associativismo de familiares (e não de profissionais da saúde) e a excelência na assistência às necessidades básicas daqueles idosos de alta complexidade – por se tratar de alta dependência funcional – que nem sequer figuram nas amostragens do SUS, uma vez que não conseguem acessar a rede de saúde.

Sustentado por doações e parcerias do setor público e privado, oferece a manutenção dos cuidados diurnos do idoso dependente. São socialmente estáveis, pré-institucionalizados, pertencentes à classe média, não vítimas violência doméstica. A maioria dos idosos atendidos tem convênio médico. A AFAI não é um centro de tratamento médico: seus pacientes são clinicamente estáveis, usuários de serviços de saúde públicos ou particulares. Funcionalmente, são comprometidos, além de o serem mentalmente (depressão e demência). Portanto o objetivo principal desse centro é acolher o idoso como uma extensão de sua família, oferecendo atendimento humanizado: supervisão nas atividades de vida diária (AVD) e espaço de socialização. Situa-se como um modelo intermediário de atenção ao idoso com forte caráter de apoio à família. O cuidador busca a AFAI pelos seguintes motivos:

  • já perceber conflitos familiares em torno da condição do idoso;
  • necessidade de tempo livre;
  • percebe o estresse e o cansaço;
  • precisa trabalhar fora e tem tempo restrito para cuidar;
  • iniciam-se os comportamentos agressivos que precisam ser manejados;
  • o familiar sente que o idoso precisa de convívio social próprio;
  • custo elevado da contratação de um cuidador formal.

A equipe  é composta por 4 cuidadores um fisioterapeuta, um fonoaudiólogo e um terapeuta ocupacional; auxiliar de limpeza e de cozinha. Mesmo os familiares cujos idosos já faleceram continuam engajados na ação, apoiando, incentivando e visitando os idosos e familiares daqueles que ainda frequentam a casa.

O desafio atual está na multiplicação dessa modalidade inovadora de atenção na rede pública de Saúde ou de Assistência Social. Existem impasses legais e técnicos, razão pela qual algo tão aparentemente óbvio ainda não ocorreu. Felizmente a discussão está avançando. O Projeto de Lei nº 01-0527/2010 ainda está em fase de consulta pública para debates dos mais variados aspectos sobre os quais incidem o referido Projeto, como objeto, relevância, finalidade, prestação de serviço, regulamentação, dotações orçamentárias, dentre outros que emergirem. A audiência pública ocorrerá na Câmara Municipal de São Paulo no dia 24/04/2012, das 10-14h (Viaduto Jacareí, 100 – 8º andar-Salão Nobre).

Estaremos prontos para a discussão! Apoiamos e nos sentimos gratos pela oportunidade de fortalecer a rede de apoio social ao idoso com deficiências, mobilidade reduzida e fragilidade. Participe também e divulgue! Incentive essa ideia!

Veja mais informações e o texto atual do PL proposto pelo Vereador Dalton Silvano (PV) neste link: http://goo.gl/Dy44m 

Musicoterapia também é Carnaval!

Grito de Carnaval foi o tema abordado pela Musicoterapia, sexta-feira, 17/02, no LarEscola.

Por Ana Maria Caramujo

No dia 17 de fevereiro de 2012, das 13:30 horas às 16:30 horas, o Setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco deu seu Grito de Carnaval, por meio dos Grupos Musicoterapia-Motivação e Musicoterapia Preventiva.

Essa alegria se deu ao som das marchinhas de carnaval, máscaras, fru-frus, serpentinas e confetes pertencentes a um tempo em que as famílias brasileiras brincavam o carnaval de forma saudável e lúdica. Sabendo que a música evoca lembranças e recordações que faz emergir emoções e sentimentos, nada melhor do que as marchinhas de carnaval – preferências dos idosos – para promover alegria, descontração, ânimo para viver e desfrutar as benesses da vida.

Cuidadora familiar e paciente: atividade sentada

As estagiárias atuais, Gabriela Chinen e Letícia Tanelli, orientadas pela  supervisora Ana Maria Caramujo, do Curso de Graduação de Musicoterapia da FMU, sob a Coordenação de Maristela Smith, usam técnicas musicoterapêuticas próprias para desenvolver ou resgatar a autoestima, atenção, concentração; preservar a autonomia, a memória; buscar o autoconhecimento, dentre outros aspectos. Ingressam nos grupos de Musicoterapia pessoas com idades a partir dos 60, indicados pela equipe multiprofissional para a terapia por sofrerem de depressão, sentimento de solidão, por vezes incompreensão, além daqueles que almejam manter-se ativos e saudáveis. Os acompanhantes e cuidadores são bem-vindos e beneficiam-se, juntos, dessa nova forma de comunicação entre gerações, por meio dos sons,  da música e de todas as reminiscências que evocam.

Supervisora (Profa. Ana Maria Caramujo), estagiária Letícia Tanelli (de avental branco) e pacientes: atividade de grupo em roda

No nosso Grito de Carnaval, os pacientes do LarEscola resgataram as boas lembranças da infância, juventude, assim como a lembrança de pessoas muito queridas que com elas compartilharam tantos carnavais. E acreditem, quem chegou de cadeira de roda, bengala, triste, com dor ou insatisfeito com algo, durante a sessão de musicoterapia, ao cantar, dançar, brincar o nosso carnaval, acompanhando o ritmo com palmas, com o os braços, com os pés, com movimentos grupais e com instrumentos feitos com sucata, sentiram-se tão bem que quem estava na cadeira de rodas até conseguiu ficar em pé e dentro de suas possibilidades dançou e se movimentou com o corpo todo! Além disso, foi uma oportunidade incomparável, para aqueles que nunca brincaram um carnaval. Assim, Carnaval aqui no LarEscola é terapia. Todos saíram felizes, leves, eretos, com a sensação de renovação, de poder existir de forma digna e plena.

Em Musicoterapia, isso é possível, porque todo e qualquer instrumento ou objeto que produza som, assim como a música e os seus elementos sonoros, desde que tenha um significado para o paciente pode ser terapêutico.

O carnaval dentro de um programa musicoterapêutico pode trazer benefícios à saúde emocional, física, mental e espiritual. Tudo isso é possível porque o setting musicoterapêutico, quer dizer, o espaço musicoterapêutico pode ser um lugar “sagrado”, dependendo de quem o conduza, uma vez que nós terapeutas estamos o tempo todo lidando com o corpo que é o “templo do espírito”, com a alma e com a essência do Ser.

Os estímulos são oferecidos de acordo com as potencialidades e limites do paciente idoso. Estar descalço favorece a percepção vibratória.

Sexta-feira, o Grito de Carnaval não começou no Sambódromo, começou nos Grupos de Musicoterapia do Departamento de Gerontologia do LarEscola e foi um sucesso!

Saiba mais sobre musicoterapia

Para quem ainda não conhece a Musicoterapia, é um tratamento que utiliza a música, o som e os seus elementos sonoros para prevenir, diagnosticar e tratar dentro de um programa sistemático e planejado, com técnicas próprias, buscando a saúde física, psíquica, mental e espiritual. O musicoterapeuta e as estagiárias em musicoterapia planejam as sessões de acordo com o repertório musical dos pacientes, seu histórico sonoro e suas respectivas queixas.

Aqui, no Programa Ambulatorial da Gerontologia do LarEscola, há três tipos de atendimentos em musicoterapia: 1) Grupo de Idosos com Depressão; 2) Grupo de Prevenção e 3) Grupos Funcionais juntamente com a Terapia Ocupacional. Os encaminhamentos acontecem nas reuniões interdisciplinares, quer dizer, com todos os profissionais da saúde: Médico Geriatra e Médicos Residentes; Psicóloga; Fisioterapeutas e Estagiários; Fonoaudióloga; Terapeuta Ocupacional, Estagiárias de Musicoterapia e Musicoterapeuta; Assistentes Sociais, entre outros.

Deixo aqui nossos agradecimentos para a Coordenadora do Curso de Graduação em Musicoterapia da FMU – Professora Ms. Maristela Smith, para a Coordenadora da Gerontologia do LarEscola – Professora Ms. Renata Cereda, a Psicóloga Maria Inês da Silva o Geriatra Dr. Rodrigo Ambros Wallau, para a T.O. Maria Fernanda Kramm e estendidos a toda equipe do setor, pois sem eles não  seria possível desenvolver esse trabalho que tantos frutos tem colhido.

O nosso muito obrigada e até o próximo evento com as próximas notícias!

Campanha de Prevenção de Quedas em Idosos 2011 – evento gratuito – engaje-se!

Logo oficial da campanha

Logotipo empregado na campanha desde 2009, símbolo da mobilização regional contra as quedas em idosos.

Desde 2009 o setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco está engajado na anual Campanha de Prevenção de Quedas. Neste ano, teremos novamente a presença da Fundación Mapfre apoiando e patrocinando esse evento, com novidades na programação replicada em horários diferentes em 2 dias:

20/6 – Segunda -feira (tarde)
13h00 às 14h30 – Campanha de Segurança Viária para Idosos
14h30 às 15h00 – Coffee
15h00 às 16h30 – Com Maior Cuidado

21/6 – Terça-feira (manhã)
09h00 às 10h30 – Campanha de Segurança Viária para Idosos
10h30 às 11h00 – Coffee
11h00 às 12h30 – Com Maior Cuidado

LOCAL: hall da capela – Lar Escola São Francisco – centro de Reabilitação (clique para ver o MAPA)

PÚBLICO-ALVO:

  • pessoas idosas (60 anos ou mais) com ou sem acompanhantes, pacientes ou não do LarEscola;
  • cuidadores de pessoas idosas (familiares ou profissionais);
  • profissionais do LarEscola, especialmente aqueles que têm contato com pessoas idosas
  • alunos de graduação, residentes e especializandos da Unifesp e demais parceiros acadêmicos

INSCRIÇÕES: serão feitas no local, por ordem de chegada. As inscrições são limitadas à capacidade do local, 50 pessoas por palestra. Começaremos a recepcionar os participantes 1h antes do início do evento para inscrições em ambos os dias. EVENTO ABERTO AO PÚBLICO, GRATUITO.

Serão distribuídos brindes, materiais educativos para leigos e para profissionais acerca dos dois temas que serão desenvolvidos nos dois dias. 

Contamos com a participação de todos e com a colaboração em indicar pessoas idosas da comunidade.

Maiores informações: (11) 5904-8041 / (11) 5904-8062 – falar com Inês ou Renata

Veja algumas fotos do grande evento de 2009: 

Inscrições do evento:

 http://www.flickr.com/photos/lesf1/3974495048/

“Circuito” de exames e entrevistas:

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3973732665/

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3973732661/

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3974495062/

Palestra:

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3974495074/

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3973732651/

Dança senior:

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3973732687/

Equipe reunida:

http://www.flickr.com/photos/lesf1/3974501644/

Guia de Reabilitação Manole

Em 01 de junho deste ano foi lançado o Guia de Reabilitação, mais uma obra de uma extensa e bem sucedida série Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar da Unifesp. Organizado pelo Prof. Dr. José Roberto Jardim e pelo Dr. Oliver A. Nascimento, essa obra enfatiza, de modo objetivo, o passo-a-passo para a implantação e o desenvolvimento de um grande centro de reabilitação. Tudo isso baseado na experiência acumulada em 67 anos pelo primeiro centro de reabilitação física do país, o Lar Escola São Francisco, conveniado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

guia de reab

Jardim JR, Nascimento OA (org). Reabilitação. 1a ed. São Paulo: Manole, 2010.

Trata-se de uma obra robusta que contou com a participação de 115 autores em 43 capítulos divididos em seções ou partes: Organizacional, Atividade Física Adaptada, Nutrição, Psicopedagogia, Gerontologia, Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Centro de Reabilitação Pulmonar, Odontologia, Reumatologia, Fisiatria, Oficina Ortopédica, Fisioterapia, Serviço Social, Enfermagem e Escola de Educação Especial. A quase totalidade dos autores é colaborador desta grande instituição filantrópica que, aliada à Unifesp e demais instituições de ensino, é um local de efervescência acadêmica.

O leitor é então introduzido ao universo da reabilitação na prática: nenhum autor poupou esforços em detalhar a prática que faz com que o Lar Escola seja a instituição de reabilitação mais longeva deste país. Vale ressaltar que nenhuma prática se sustenta sem fundamentação. Nesse quesito a obra também surpreende, sem economia de conceitos aprofundados e referências baseadas na literatura internacional. Diferentemente de outras obras do gênero, não se fica nem completamente estagnado na idéia do “como eu trato”, tampouco constitui-se como uma colagem de artigos científicos altamente especializados e “up-to-date” em cada área.

Na parte 5, Gerontologia, são apresentados quatro capítulos: “Princípios de Reabilitação Gerontológica”, por Renata Cereda Cordeiro; “Doença de Alzheimer – do diagnóstico ao tratamento medicamentoso”, por Loretta Di Giunta; “Reabilitação nas Síndromes Demenciais”, por Renata Cereda Cordeiro, Sabrina Marcondes Teixeira da Silva e Cristiane Amorosino; e, por fim, “Depressão em idosos: manejo e estratégias em Reabilitação”, por Loretta Di Giunta, Renata Cereda Cordeiro, Maria Inês da Silva e Cristiane Amorosino.  Optamos por apresentar um capítulo que se ocupasse consistentemente  do conceito de Reabilitação Gerontológica e de que forma essas novas concepções afetam a gestão de um serviço voltado para o público idoso e suas famílias. Os demais capítulos enfatizam  abordagens de tratamento não convencionais em um centro de reabilitação que se ocupa predominantemente da deficiência física.

Acreditamos que o leitor terá inúmeras oportunidades de aprender sobre a reabilitação em condições como a dor e a limitação de movimentos em outros capítulos, de modo que a Gerontologia se preocupou em lidar com dois grandes problemas de saúde pública que vêm chegando de modo epidêmico no nível ambulatorial: as demências e a depressão. Estaria toda a equipe multiprofissional preparada em reabilitação para manejar as doenças neuropsiquiátricas?  Após a leitura desta obra, certamente o leitor chegará à conclusão que ela é imprescindível por romper paradigmas na saúde do idoso e desvelar estratégias de enfrentamento dos problemas mais impactantes dessa população.

Maiores detalhes sobre a obra, preço atualizado e vídeo contendo entrevista com os organizadores podem ser acessados clicando aqui.