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Dez anos da Rede Lucy Montoro

rede lucy montoroÉ sempre uma alegria presenciar iniciativas bem sucedidas e longevas em prol da reabilitação das pessoas com deficiência, muitas das quais, idosas. A Rede Lucy Montoro representa acesso à tecnologia de ponta aliada à vontade política no Estado de São Paulo.

A seguir, leia na íntegra a matéria publicada no dia 18 de maio de 2018 no site da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência:

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Reatech 2013 começa hoje!

Clique na imagem para saber todos os detalhes da feira e eventos simultâneos

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Já chegou o tão aguardado primeiro dia da XII Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade. Hoje e amanhã, as portas se abrirão às 13h e fecharão às 21h; sábado e domingo, a feira ocorrerá entre 10 e 19h. A exemplo dos anos anteriores, o local será o Centro de Exposições Imigrantes.

Este ano a organização do evento escolheu um urgente e oportuno chamado  para que se faça da inclusão uma realidade de fato em nossa sociedade. Com o tema “Desperte para a Inclusão”, a feira e seus eventos simultâneos – basicamente seminários, oficinas, fóruns, palestras e cursos – pretendem abranger inúmeras áreas temáticas de interesse para a Reabilitação e inclusão da pessoa com deficiência, tais como: lei de cotas, alfabetização em Braille, Paralimpíadas (termo que substituiu o Paraolimpíadas), sistemas posturais, terapia assistida por animais, tecnologia assistiva, Terceiro Setor, sexualidade, Espeleologia, Fisioterapia do Trabalho, dentre tantos outros.

O próprio texto introdutório da feira dá uma dimensão do tom do evento:

“A questão da inclusão não é apenas de direito, mas de exigência da realidade.

Por exemplo, a acessibilidade dos prédios públicos, que já deveria estar toda pronta, ainda está próximo do nada.

Os shopping centers estão em sua grande parte adaptados, mas as lojas ainda não se adequaram a essa realidade. Será que um cadeirante consegue testar roupas nos provadores?

A hotelaria tem destinado alguns quartos dentro da sua estrutura e faltam equipamentos adaptados.

Os aeroportos são um caos em termos de adaptação. O crescimento da malha aérea obriga a maioria dos voos de ser atendidos em terra, com sistema de transporte de ônibus e de escadaria para subir na aeronave.

Incrível que há hospitais com centros de reabilitação que não são acessíveis.

Enfim, chega de cobranças. Chega de promessas. Chegou a hora de a inclusão acontecer. Existem normas, legislações variadas e rigorosas.

Existem tecnologias e todas elas estão presentes na Reatech, pois os visitantes buscam em todas as edições as soluções nos estandes.

A hora é agora. Se a sua empresa tem tecnologias para acessibilidade, reserve já o seu estande e participe deste movimento pela INCLUSÃO JÁ!”

(Fonte: http://www.reatech.tmp.br/)

Pois bem, a hora é agora. A Gerontologia e os reabilitadores que atuam diretamente nesse campo também estão impacientes. Já estamos cansados também de ver esquecidos os interesses, necessidades e peculiaridades da população idosa com deficiências… Folheei diversas vezes o robusto caderno com toda a extensa programação do evento e não há nada que sequer aborde a existência de pessoas idosas. A população não está envelhecendo? Afinal, as ações em reabilitação no passado não conseguiram garantir maior longevidade às pessoas com deficiência? Como vêm envelhecendo as pessoas com deficiência? Não há massa crítica suficiente em nosso país para estudar essa questão?

A única tentativa que vi de discutir minimamente a questão do envelhecimento da pessoa com deficiência na programação foi a palestra anunciada sob o título “A vida adulta da pessoa com paralisa cerebral – desafios e conquistas constantes” que será ministrada pela jornalista de Santos “Sacha Band” hoje às 14h no Reasem (aberto ao público). O curso de duas horas que abordará a Espeleologia Adaptada emprega no próprio título dois termos questionáveis que bem que poderiam ser retificados: “portadores de necessidades especiais” e “melhor idade”. Quanto ao primeiro termo, sinceramente, já existem normas. Erro primário, portanto. Desde a Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência em 2007 já não emprega mais termos como “portador”, “necessidades especiais” e outras camuflagens. Aliás, vamos nos lembrar ainda que seus atos internacionais entraram em vigor no Brasil em 31/08/2008 e o Decreto nº 6.949 de 25 de agosto de 2009 promulgou a referida Convenção, tornando o cumprimento de seu texto, na íntegra, obrigatório.

Termo obsoleto: "portadores de necessidades especiais" Termo eufemístico: "melhor idade" Tudo isso num único título...

Termo obsoleto: “portadores de necessidades especiais”
Termo eufemístico: “melhor idade”
Tudo isso num único título…

Quanto ao segundo termo… Grande eufemismo que em nada contribui para a inclusão da pessoa idosa (sim, é esse o termo), apenas atrai e agrada aqueles com mais de 60 anos que estão ativos e bem dispostos ao consumo.

Concluo, então, que os reabilitadores ainda patinam quando a discussão é envelhecimento e demandas das pessoas idosas. Já participei do evento por diversos anos consecutivos e sempre vi poucas pessoas idosas transitando e pouca oferta de material informativo/produtos/serviços para esse público. Ao longo desses anos, à frente de um setor pioneiro de Reabilitação Gerontológica, conquistei alguns poucos espaços para palestras que encheram o auditório de profissionais que atuam com pessoas idosas, familiares e diversos interessados. Não haveria, portanto, demanda?

Não seria a hora de repensar mais uma vez a feira a alcançar mais um nível na difícil escalada da inclusão? Eu estarei lá.

Clique na imagem para acessar o catálogo completo do evento.

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Licença Creative Commons

O trabalho Reatech 2013 começa hoje! de Renata Cereda Cordeiro foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em https://reabgeronto.wordpress.com/2013/04/18/reatech-2013-hoje/.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença em https://reabgeronto.wordpress.com/fale/.

Audiência pública para debater Projeto de Lei que institui o Programa Social “Centro Dia do Idoso”

logotipo da AFAIHá vários anos o setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco apóia, incentiva o fortalecimento e encaminha idosos fragilizados à Associação dos Familiares e Amigos do Idoso (AFAI) que coordena um centro-dia para idosos com demências ou mobilidade reduzida cujos cuidadores têm dificuldade de supervisioná-los em casa durante o período diurno. Aliás, a AFAI também venceu o concurso Talentos da Maturidade do Banco Santander em 2010, a exemplo de nosso setor (relembre aqui o post sobre o assunto). Trata-se de um equipamento inovador em pelo menos dois aspectos fundamentais: a gestão nascida do associativismo de familiares (e não de profissionais da saúde) e a excelência na assistência às necessidades básicas daqueles idosos de alta complexidade – por se tratar de alta dependência funcional – que nem sequer figuram nas amostragens do SUS, uma vez que não conseguem acessar a rede de saúde.

Sustentado por doações e parcerias do setor público e privado, oferece a manutenção dos cuidados diurnos do idoso dependente. São socialmente estáveis, pré-institucionalizados, pertencentes à classe média, não vítimas violência doméstica. A maioria dos idosos atendidos tem convênio médico. A AFAI não é um centro de tratamento médico: seus pacientes são clinicamente estáveis, usuários de serviços de saúde públicos ou particulares. Funcionalmente, são comprometidos, além de o serem mentalmente (depressão e demência). Portanto o objetivo principal desse centro é acolher o idoso como uma extensão de sua família, oferecendo atendimento humanizado: supervisão nas atividades de vida diária (AVD) e espaço de socialização. Situa-se como um modelo intermediário de atenção ao idoso com forte caráter de apoio à família. O cuidador busca a AFAI pelos seguintes motivos:

  • já perceber conflitos familiares em torno da condição do idoso;
  • necessidade de tempo livre;
  • percebe o estresse e o cansaço;
  • precisa trabalhar fora e tem tempo restrito para cuidar;
  • iniciam-se os comportamentos agressivos que precisam ser manejados;
  • o familiar sente que o idoso precisa de convívio social próprio;
  • custo elevado da contratação de um cuidador formal.

A equipe  é composta por 4 cuidadores um fisioterapeuta, um fonoaudiólogo e um terapeuta ocupacional; auxiliar de limpeza e de cozinha. Mesmo os familiares cujos idosos já faleceram continuam engajados na ação, apoiando, incentivando e visitando os idosos e familiares daqueles que ainda frequentam a casa.

O desafio atual está na multiplicação dessa modalidade inovadora de atenção na rede pública de Saúde ou de Assistência Social. Existem impasses legais e técnicos, razão pela qual algo tão aparentemente óbvio ainda não ocorreu. Felizmente a discussão está avançando. O Projeto de Lei nº 01-0527/2010 ainda está em fase de consulta pública para debates dos mais variados aspectos sobre os quais incidem o referido Projeto, como objeto, relevância, finalidade, prestação de serviço, regulamentação, dotações orçamentárias, dentre outros que emergirem. A audiência pública ocorrerá na Câmara Municipal de São Paulo no dia 24/04/2012, das 10-14h (Viaduto Jacareí, 100 – 8º andar-Salão Nobre).

Estaremos prontos para a discussão! Apoiamos e nos sentimos gratos pela oportunidade de fortalecer a rede de apoio social ao idoso com deficiências, mobilidade reduzida e fragilidade. Participe também e divulgue! Incentive essa ideia!

Veja mais informações e o texto atual do PL proposto pelo Vereador Dalton Silvano (PV) neste link: http://goo.gl/Dy44m 

Guia de Reabilitação Manole

Em 01 de junho deste ano foi lançado o Guia de Reabilitação, mais uma obra de uma extensa e bem sucedida série Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar da Unifesp. Organizado pelo Prof. Dr. José Roberto Jardim e pelo Dr. Oliver A. Nascimento, essa obra enfatiza, de modo objetivo, o passo-a-passo para a implantação e o desenvolvimento de um grande centro de reabilitação. Tudo isso baseado na experiência acumulada em 67 anos pelo primeiro centro de reabilitação física do país, o Lar Escola São Francisco, conveniado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

guia de reab

Jardim JR, Nascimento OA (org). Reabilitação. 1a ed. São Paulo: Manole, 2010.

Trata-se de uma obra robusta que contou com a participação de 115 autores em 43 capítulos divididos em seções ou partes: Organizacional, Atividade Física Adaptada, Nutrição, Psicopedagogia, Gerontologia, Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Centro de Reabilitação Pulmonar, Odontologia, Reumatologia, Fisiatria, Oficina Ortopédica, Fisioterapia, Serviço Social, Enfermagem e Escola de Educação Especial. A quase totalidade dos autores é colaborador desta grande instituição filantrópica que, aliada à Unifesp e demais instituições de ensino, é um local de efervescência acadêmica.

O leitor é então introduzido ao universo da reabilitação na prática: nenhum autor poupou esforços em detalhar a prática que faz com que o Lar Escola seja a instituição de reabilitação mais longeva deste país. Vale ressaltar que nenhuma prática se sustenta sem fundamentação. Nesse quesito a obra também surpreende, sem economia de conceitos aprofundados e referências baseadas na literatura internacional. Diferentemente de outras obras do gênero, não se fica nem completamente estagnado na idéia do “como eu trato”, tampouco constitui-se como uma colagem de artigos científicos altamente especializados e “up-to-date” em cada área.

Na parte 5, Gerontologia, são apresentados quatro capítulos: “Princípios de Reabilitação Gerontológica”, por Renata Cereda Cordeiro; “Doença de Alzheimer – do diagnóstico ao tratamento medicamentoso”, por Loretta Di Giunta; “Reabilitação nas Síndromes Demenciais”, por Renata Cereda Cordeiro, Sabrina Marcondes Teixeira da Silva e Cristiane Amorosino; e, por fim, “Depressão em idosos: manejo e estratégias em Reabilitação”, por Loretta Di Giunta, Renata Cereda Cordeiro, Maria Inês da Silva e Cristiane Amorosino.  Optamos por apresentar um capítulo que se ocupasse consistentemente  do conceito de Reabilitação Gerontológica e de que forma essas novas concepções afetam a gestão de um serviço voltado para o público idoso e suas famílias. Os demais capítulos enfatizam  abordagens de tratamento não convencionais em um centro de reabilitação que se ocupa predominantemente da deficiência física.

Acreditamos que o leitor terá inúmeras oportunidades de aprender sobre a reabilitação em condições como a dor e a limitação de movimentos em outros capítulos, de modo que a Gerontologia se preocupou em lidar com dois grandes problemas de saúde pública que vêm chegando de modo epidêmico no nível ambulatorial: as demências e a depressão. Estaria toda a equipe multiprofissional preparada em reabilitação para manejar as doenças neuropsiquiátricas?  Após a leitura desta obra, certamente o leitor chegará à conclusão que ela é imprescindível por romper paradigmas na saúde do idoso e desvelar estratégias de enfrentamento dos problemas mais impactantes dessa população.

Maiores detalhes sobre a obra, preço atualizado e vídeo contendo entrevista com os organizadores podem ser acessados clicando aqui.